Artigos e Cronicas

27/11/2017 07:54

Educação Política

Vicente Vuolo*

Faltam líderes democráticos no Brasil. Líderes participativos, com a consciência coletiva, na qual, suas decisões são tomadas após debate e com respaldo da sociedade.

É preocupante essa ausência de nomes probos na sua amplitude, que nos faça sentir mais seguros com o futuro que se apresenta.

Não estamos falando de líderes autocráticos, na qual se impõe as suas ideias e decisões à população. Estes, são muitos. E se apresentam como “salvador da pátria”, revelando-se apenas com uma simples característica ou aptidão para uma determinada ação boa, mas com propostas paliativas.

Eles trazem um discurso populista, messiânico, encharcado de demagogia. Problemas sérios como a violência, por exemplo, são tratados apenas como uma questão policial, e não educacional.

A falta de educação política os coloca num pragmatismo, sem qualquer preocupação com a próxima geração.

Um bom líder é aquele capaz de extrair o melhor de cada pessoa - nunca pensando de forma setorial, corporativa e, muito menos pessoal – e consegue levar adiante ideias e projetos sustentáveis para a maioria da população, a partir de sua integridade e entusiasmo.

A liderança política é uma discussão antiga na Filosofia, desde Aristóteles, no século IV a.C. e revela uma disposição estável de praticar o bem. Segundo Aristóteles, “liderança” é uma virtude, e não um dom como um presente recebido por Deus.

O filósofo grego afirmava: “virtude é uma disposição adquirida de fazer o bem, e se aperfeiçoar com o hábito”. 

Platão argumentava em “A República” que o regente precisava ser educado com a razão, descrevendo o seu ideal de “rei filósofo”.                

Porém, acadêmicos argumentam que a “liderança” como tema de pesquisa científica surgiu apenas depois da década de 1930 fora do campo da filosofia e da história.

Com o passar do tempo, houve uma evolução de teorias que descreviam traços e características pessoais dos líderes eficazes, chegando a uma abordagem situacional, que propõe um estilo mais flexível, adaptativo para a liderança eficaz.

O Brasil precisa de líderes. Pessoas com uma visão clara do futuro com uma sensibilidade aguçada para este futuro de acordo com os anseios da população e um senso de responsabilidade para com o país.  

Para que nossa sociedade produza mais líderes com essas características, a política precisa ser vista como uma atividade humana positiva, realizada por todas as pessoas. Precisamos tirar da política o estigma de lugar de ladrões e espertalhões.

A lei e as instituições precisam ser duras em quem rouba e se enriquece às custas do eleitor. Assim como devemos estimular que a política faça parte das escolas, desde os primeiros anos, promovendo a criatividade das crianças, os debates de ideias e a valorização da ética.                   

Chegou a hora de vivenciar a representação e todas as formas de fazer política. Nas escolas, como grêmios estudantis, com clubes de debates. Nos locais de trabalho e em todas as formas de participação que a lei possibilita e, fazendo novas leis com mais espaços de participação.                  

Julgo importante, também, que os pais participem mais da fiscalização da escola, do orçamento e das atividades, que debatam o projeto pedagógico da escola.

É fundamental que os usuários do sistema de saúde participem efetivamente dos Conselhos de Saúde (Lei nº 8.142/90).                 

É nosso dever como cidadão romper a apatia da não participação, da transferência de responsabilidades. Mudar a política requer ação, disposição e responsabilidade.  

De cada um e de todas as pessoas. Com isso, vamos produzir milhões de líderes.                  

Vamos continuar a ser uma pátria de chuteiras, pois as crianças continuarão a ter o acesso livre e democrático à bola.

Mas também seremos uma pátria de cidadãos-líderes, onde a política será limpa e parte da vida de cada uma das pessoas.

VICENTE VUOLO é economista, cientista político e analista legislativo do Senado Federal.

Fonte: Folhamax


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