Artigos e Cronicas

28/11/2017 08:11

Estratégias

Onofre Ribeiro*

Nos últimos 15 dias participei como palestrante em dois eventos do Sicredi, o segundo ontem, e como mediador noutro, da Unimed. O que eles tem em comum? A preocupação em construir um planejamento estratégico sustentável. Ambos na área do cooperativismo. Sicredi na de crédito e Unimed na área de saúde.

Ambos perceberam que a condução predatória dos seus negócios, numa área sensível como a de pessoas que optam pelo cooperativismo será andar na contramão das tendências futuras. No começo da década até a conferência de meio ambiente Rio mais 20, em 2012, o conceito de sustentabilidade era tão somente ambiental.

Depois foi se descobrindo que vai muito além. Especialmente diz respeito a pessoas. Cada vez mais apurada a sustentabilidade saiu do ambiental, passou para o social, para o cultural, para a qualidade de vida, para a ética e agora caminha rapidamente para a governança e para o sentido de perenidade das instituições tanto públicas quanto privadas.

No caso do Sicredi, não será mais possível que uma instituição de crédito cooperativa deixe de atender a todos os ritos da legalidade, mas que seja capaz de interagir corpo-a-corpo com as comunidades onde se situa. De certo modo, ela tem mais capilaridade do que o governo, porque este é presa da malha da burocracia que fragmenta todas as políticas e processos. O que chega na ponta é sempre a migalha de uma ideia.

Interpretar as realidades locais e regionais farão parte da sustentabilidade de uma instituição privada, seja ela de cooperativismo, seja de negócios. Além da sua durabilidade no tempo, ela precisará ser um pedaço da alma da comunidade onde se localiza. Como instituições desse porte são bastante grandes e pulverizadas, precisam de planejamentos estratégicos que durem muito tempo e possam ser corrigidos na medida das transformações que ocorrem. Elas geram mudanças e são atingidas pelas mudanças e precisam se regenerar sempre. Do contrário não serão sustentáveis.

Curioso, vi nas duas palestras ao Sicredi no evento interno da Unimed, a preocupação em compreender o futuro sob o ângulo dele ser sustentável. A preocupação ambiental já está clara, mas a humana e a duração do negócio com sustentabilidade é coisa nova. Até porque incorpora ética, transparência, governança e propósitos humanos. Grandes desafios neste momento de transição que vivemos. Mas não há outro caminho sustentável.

*ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso


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