Artigos e Cronicas

27/12/2017 11:53

Conhece-te a ti mesmo

Paulo Lemos*

O aforismo que encabeçou o presente esboço literário é de origem grega, de autoria incerta, no entanto, inscrito no Templo de Delfos, que nos remete, não obstante, à lembrança de Sócrates, ante o trabalho de parto do autoconhecimento que ele promovia com terceiros, fazendo uso do método que ficou conhecido para todo o sempre, pelo menos no ocidente, como maiêutica, responsável por desconstruir verdades prontas e acabadas (dogmas) e herdadas pelos usos e costumes da época (preconceitos ético-morais).

Aquele grego, considerado o mais sábio de todos, condenado à morte por fazer os jovens pensar criticamente, acusado de corromper a juventude, levava o interlocutor, em qualquer debate, por intermédio de reiteradas indagações, a olhar para dentro de si, ativar a percepção e despertar a consciência, vendo-se necessariamente diante de outro aforismo, do "só sei que nada sei", para, daí, partindo humildemente da constatação da fragilidade e fugacidade dos mantras propagados pelas tradições, reconstruir seus pensamentos e comportamentos, quase como o nascer de novo, admoestado por Jesus ao fariseu Nicodemos.

Em quanto tempo cada um de nós pode conhecer-se profunda e totalmente, ou seja, despido de máscaras e com a alma completamente nua, com suas manchas e feridas acumuladas durante a vida, ao ponto de limpá-las e curá-las, mediante o despertar da consciência, provocado pela ciência e experiência acumuladas na vida, pela sabedoria adquirida ou inspirada pela Providência Divina, chame-a de energia sideral ou natureza primeira de todas as coisas? 

E quando isso ocorre, qual é o efeito terapêutico de assumir-se como és, de não esconder seu passado, de ser autêntico no presente e de ser o protagonista do seu futuro, a despeito da oposição alheia ou da incompreensão de outros mais, todavia, sendo sincero consigo próprio, leal com quem te acompanha, fiel com quem convive, honesto com quem te interpela e transparente para todos que te vêem, como realmente tu és, sem encenar personagem algum, imposto pelas circunstâncias ou escolhido pelas aparências, mantendo latente e sendo coerente com tua essência?

Isso, em um movimento libertador das amarras externas e da prisão mental que impede de assumir o comando e o protagonismo da vida vivida, sem freios e cabrestos fortes o suficiente que impeça-nos de sermos felizes e sentirmo-nos realizados, de bem conosco e em paz com o movimento de leva e trás da semeadura até à colheita dos frutos dos sonhos que tornam-se realidades.

Como sementes plantadas em terra fértil e regadas com água pura, metaforicamente representando nossas atitudes, os alvos dos nossos esforços e sacrifícios, bem como daquilo que dispusermo-nos a fazer e a desfazer-se para alcançar os objetivos almejados e pretendidos, a despeito das pedras no caminho, para não falar das cordilheiras, entretanto, desviadas e/ou escaladas, portanto, superadas e deixadas para trás.

E é com muita força, foco, fé, esperança e amor que obtemos o combustível e a via de acesso ao infinito imensurável de possibilidades que temos de ser felizes, antes, durante e depois das lágrimas derramadas, precedendo o sorriso aberto espontaneamente pela vitória conquistada e o caminho atravessado até chegar a ela, tão dignificante e edificante quanto o ponto de chegada.

Você que leu este texto poderia comentar logo abaixo um pequeno extrato da sua experiência de emancipação e autorrealização, superação e sacrifício, para que sirva de exemplo e inspiração àqueles que ainda não se sentem à vontade para expor suas vísceras existenciais, humanitárias e espirituais.

Desde já, muito obrigado!

Paulo Lemos é advogado.

Fonte: Folhamax


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