Cidades

TRANSPORTE PÚBLICO 03/01/2017 10:14

AMTU exigem reajuste de passagem do transporte coletivo para R$4,20 em Cuiabá

O aumento de 16% supera em muito o reajuste que os empresários do setor concederam aos motoristas, que ficou em 8,75% e é o dobro da inflação acumulada em 2016

Da Redação

Ainda no primeiro trimestre deste ano, como acontece em todos os anos, os mais de 295 mil passageiros do transporte coletivo em Cuiabá devem lidar com mais um aumento da passagem. A planilha foi encaminhada no mês de dezembro para a Agência Municipal de Regulação de Serviços Delegados de Cuiabá (Arsec), que deve marcar uma reunião com o Conselho Municipal de Transportes para aprovar, ou não, a planilha.

A Associação Mato-grossense dos Usuários do Transporte Público confirmou que o ex-secretário de Mobilidade Urbana já havia apontado que a estimativa é de que a tarifa passe de R$ 3,60 para R$ 4,20.

O valor representa um aumento de 16%. Maior até mesmo que o aumento do salário mínimo que de R$ 880 passou para R$ 957, crescimento de 8,75%. Desta forma, uma análise superficial que o aumento da passagem foi quase o dobro do aumento dado ao salário mínimo. Como a maioria dos usuários utiliza o transporte em média cinco dias por semana, seriam R$ 8,40 por dia e R$ 42 por semana. O valor de R$ 8,40 levando em consideração um veículo a álcool com o combustível à um preço de R$ 2,65 daria 3,16 litros. Com esta quantidade de combustível, um veículo econômico que faz em média 11 quilômetros por litro, percorreria em média 34 quilômetros.

Desta forma, o valor de R$ 8,40 daria para percorrer em um veículo econômico a distância entre o Aeroporto Marechal Rondon até o Pantanal Shopping (aproximadamente 12,5 quilômetros). A quantidade supriria o combustível de ida e volta e ainda sobraria para mais aproximadamente dez quilômetros, uma ida. Numa semana enquanto um veículo gastaria em média R$ 30 em álcool para percorrer este trecho, um passageiro pode pagar até R$ 42 com aumento da passagem.

Se for considerada uma motocicleta a álcool a economia é ainda maior. Pedro Felipe Silva viu essa mudança quando resolveu trocar o ônibus por uma moto. “Mesmo que você tenha todo custo com a prestação de um veículo, com manutenção, nada se compara. O estresse que você passa em andar de ônibus nem se fosse de graça valeria a pena. Quando eu utilizava cada hora era um problema, chegava sempre atrasado no serviço. Às vezes o ônibus nem parava no ponto de lotado, muitas vezes quebrava no caminho, enfim, eram muitos problemas. Se for levado em consideração o que se gasta apenas com o combustível é muito mais em conta”, diz.

Pedro é mais um dos passageiros que trocou o ônibus por outro veículo. Em Mato Grosso, os dados do Departamento Estadual de Trânsito mostram que até o mês de setembro Cuiabá já apresentava uma frota de 403.276 veículos. Destes 205.001 eram automóveis e 88.180 motocicletas. Em Várzea Grande a frota alcança 152.312 veículos, sendo 67.861 automóveis e 41.637 motocicletas. De 2011 até o início do ano passado o Estado já apresentava um crescimento de mais de 34% na frota.

Aumento indesejado – Para quem ainda deve utilizar o transporte coletivo o aumento da passagem é visto com insatisfação. Vitória Maria Almeida que pega ônibus praticamente todos os dias da semana, já começa a pensar no impacto que o aumento deve refletir em seu bolso. Ela que é diarista tem que tirar do próprio bolso o valor da tarifa. Quando tem que fazer duas faxinas por dia ela conta que no mínimo, gasta quatro passagens.

“Imagina você ter que desembolsar quase R$ 20 reais por dia de condução. Isso é um roubo. Além do mais passa ano entra ano a passagem aumenta e melhoria que é bom para o transporte público nada. Eu acho que isso só acontece porque o povo aceita numa boa. Enquanto a gente ficar concordando com os aumentos dos empresários que não estão nem aí em oferecer qualidade, nós não vamos ter melhoria nenhuma”, disse.

(Fonte:Diário de Cuiabá)


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