Cultura e Arte

LITERAMATO 14/10/2017 11:58

Literamato é cancelada a cinco dias da abertura por "dificuldades técnicas"

A organizadora do evento, Casa de Guimarães, anunciou o repentino cancelamento da Festa de Literatura de Mato Grosso por "questões técnicas e operacionais". Evento prometia reunir em Cuiabá grandes nomes da moderna literatura regional, nacional e de outros países de língua portuguesa

Da Redação

Há apenas cinco dias de sua abertura, a Festa de Literatura de Mato Grosso (LiteraMato) foi cancelada pela empresa produtora, a Casa de Guimarães. O anúncio foi feito no final da manhã deste sábado, 14, via nota encaminhada à imprensa pelos organizadores.

A Literamato estava programada para acontecer entre os dias 19 e 22 deste mês, no Centro de Eventos do Pantanal e prometia ser o maior evento multi literário desde a última Literamérica.

O hotsite do evento na internet exibe um aviso lacônico:

"CANCELAMENTO
Em virtude de questões técnicas e operacionais, e com o intuito de fazer a melhor festa literária de Mato Grosso, a Casa de Guimarães informa o adiamento da Literamato, que seria realizada de 19 a 22 de Outubro, em Cuiabá. O evento acontecerá no início de 2018 e a data será informada em breve. Agradecemos a todos pela compreensão!"

Uma nota com o mesmo teor foi distribuída à imprensa pela assessoria do evento.

Em contato com a Assessoria, o Pauta Extra apurou que os organizadores enfrentaram problemas com a agenda de alguns escritores, notadamente de língua portuguesa de outros países como o angolano José Eduardo Agualusa, uma das "estrelas" anunciadas para abrilhantar a Literamato. 

A reação à suspensão do evento veio quase instantanemente nas redes sociais. A escritora Marta Cocco, por exemplo, publicou comentário em seu perfil no Facebook que revela divergências nos bastidores da organização da Literamato, inclusive em relação ao seu formato.

"Sobre o cancelamento da Literamato com parecer desfavorável da Secretaria Estadual de Educação, repito o que, desde a Literamérica, venho falando: feiras ou festas literárias não podem ser um evento meteórico! Isso não forma leitores!", disparou a professora doutora em letras e reconhecida poeta.

Cocco sugere inclusive um modelo totalmente oposto ao da Literamato, que foi pensado mais como uma "festa" de fato do que uma feira voltada a difusão da literatura e formação e consolidação de leitores.

"Tem de ser um evento culminante de várias ações prévias envolvendo escolas e professores. O livro tem de ser lido e debatido antes. O encontro com o escritor é muito mais produtivo quando a obra já foi lida. A leitura não pode ser tratada como enfeite. Leitura é cidadania, é direito do cidadão, é dever do Estado! Enfim, esse negócio de chover no molhado vai cansando", ponderou.

O comentário da professora e poeta ganhou apoio de vários outros escritores, acadêmicos como o ex-presidente da Academia Mato-Grossense de Letras, Eduardo Mahon, bem como de professores, artistas e leitores.


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