Estadual

BASTIDORES 04/08/2018 07:15

Barranco e Saguas decidem amanhã a morte ou o renascimento do PT em Mato Grosso

Os dois parlamentares aparelharam a Executiva e a CEE com assessores de seus mandatos e definirão se o PT se liberta ou se entrega de vez aos golpistas e algozes de Lula, Dilma e do PT no estado

Antonio P. Pacheco

Especial para o Pauta Extra

A Comissão Estadual Eleitoral (CEE) e a Executiva Estadual do PT em Mato Grosso foram “aparelhadas” pelos deputados Valdir Barranco e Saguas Moraes.  A constatação pode ser feita de forma simples e direta com uma consulta aos portais do Tribunal Regional Eleitoral, por onde se obtém a Certidão de Composição Completa dos órgãos partidários e da Assembleia Legislativa e da Câmara Federal, onde se pode acessar o lotacionogramas das duas casas.

Com estes três documentos, é possível identificar que pelo menos 70% dos cargos das instâncias decisórias regional petista são ocupados por filiados vinculados aos gabinetes dos dois parlamentares.

Esta informação ganha ainda mais impacto diante do fato de que neste domingo,05, acontecerá a reunião da Comissão Estadual Eleitoral (CEE) que decidirá se o partido manterá a coerência do discurso contra o golpe que cassou o mandato de Dilma Rousseff e fez de Lula o primeiro preso político no Brasil pós-ditadura militar, ou se abraçará de vez o senador Wellington Fagundes (PR), um dos principais articuladores do impeachment sem crime que rasgou 54 milhões de votos que deu ao PT o quarto mandato consecutivo na Presidência da República.

Tudo indica que não haverá surpresas, apesar do principal partido de esquerda no estado estar profundamente dividido entre a maioria de sua base militante e a cúpula dirigente e seus burocratas.

A militância defende corajosamente a opção de uma candidatura própria, com a professora Edna Sampaio na cabeça de chapa, e a constituição de um palanque ideológico e comprometido com a luta pela eleição do ex-presidente Lula à Presidência da República.

Do outro lado, no entanto, amparados em uma hegemonia paralisante, o grupo comandado pelo atual presidente estadual da legenda, deputado estadual Valdir Barranco, junto com o deputado federal em vias de aposentadoria política Saguas Moraes, trabalha abertamente em favor da abolição do palanque próprio para a campanha presidencial petista e pela adesão do PT à campanha do golpista Wellington Fagundes. A desculpa destes? Garantir a manutenção das cadeiras que o partido tem hoje na Assembleia Legislativa – leia-se a reeleição do próprio Valdir Barranco – e na Câmara Federal com a troca de Saguas por Rosa Neide Sandes, atual chefe de gabinete de Barranco e Secretária de Formação do Diretório Regional petista.

Com a estrutura decisória do PT aparelhada, com assessores de seus mandatos ocupando postos chaves no Diretório Regional e na própria CEE, Barranco e Saguas detém poderes para contrariar a vontade majoritária da militância e enterrar a esperança dos petistas e simpatizantes de terem um candidato do partido dando voz e liderando a luta pela libertação de Lula e por sua candidatura, denunciando o golpe e o que ele representa contra o país e a população brasileira.

Este aparelhamento do PT pelos detentores de mandatos nunca foi tão grande na história do partido. Hoje, pelo menos 70% dos cargos com direito a voto nas estâncias partidária regional são ocupados por assalariados vinculados aos gabinetes parlamentares na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Fato que pode ser constatado cruzando dados da certidão de composição do diretório com os lotacionogramas dos legislativos estadual de Mato Grosso e da Câmara Federal.

Com base nestes documentos, fica fácil entender a tranquilidade com que os dois principais líderes petistas no estado, detentores de mandatos, se mostram insensíveis aos movimentos e apelos da militância em torno da proposta de candidatura própria. Somados, Barranco e Saguas detém o controle absoluto de nove dos 17 votos da Executiva Estadual. (Veja abaixo a A composição da Executiva petista e como vota cada um).   

As recorrentes divergências entre a direção do PT e a militância de base – composta por várias correntes e núcleos organizados - nunca foi tão ameaçadora para a unidade e a própria manutenção da legenda como um partido de esquerda quanto a que se apresenta neste momento.   

Concretizar a aliança com o PR de Fagundes vai provocar no PT mato-grossense uma cisão com potencial para impor um desmonte definitivo do partido no estado. Os sinais de implosão iminente já podem ser percebidos nas redes sociais twiter e facebook e nos chats de whatsap de militantes e simpatizantes petistas. O tom de mútua hostilidade entre as duas alas é crescente a medida que se aproxima a hora da decisão.

Caberá aos deputados federal Saguas Moraes e estadual Valdir Barranco a única e exclusiva responsabilidade de conduzir o PT inteiro até o final do pleito eleitoral deste ano. Ou de apertar o detonador que porá a legenda abaixo já neste domingo, durante reunião prévia da CEE e em seguida, a convenção estadual.

EXECUTIVA DO PT

Estes são os membros que votarão se o partido terá ou não candidatura ao Governo do Estado e palanque próprio para Lula em Mato Grosso ou se partido será mero coadjuvante da candidatura de Wellington Fagundes.

1.      Valdir Barranco – Presidente – Pela aliança com Wellington Fagundes

2.      Mauro César Campos – 2º Vice Presidente e Assessor de Barranco – Pela aliança

3.      Nelson Borges – Secretário Geral e assessor de Barranco – Pela aliança

4.      Rosa Neide Sandes – Sec. Formação política – Chefe de gabinete de Barranco – Pela aliança

5.      Edilson Pedro Spenthof –Sec de Organização –Assessor de Barranco – Pela aliança

6.      Fernando Santos Souza – Sec. De Comunicação – Assessor de barranco – Pela aliança

7.      Terezinha Furtado – Sec. Institucional – Assessora de barranco – Pela aliança

8.      Edivaldo Souza Magalhães – Vogal – Assessor de Saguas – Pela aliança

9.      Elen Carolina Martins – Sec. De Finanças – Assessora da campanha de Barranco – Pela aliança

10.  Enelinda Scala – 1ª Vice Presidente – Pré candidata ao Senado – Pela candidatura própria

11.  Henrique Lopes -  Sec. Mov. Populares do PT – Pela candidatura própria

12.  Girlene da Silva Ramos – Vogal – pela candidatura própria

13.  Carmem de Melo Castro e Silva – Vogal – pela candidatura própria

14.  Manuel  Antonio Pereira Araújo – Vogal – pela candidatura própria

15.  Ana Carolina Campos de Almeida – Vogal – pela candidatura própria

16.  Janes Cleide Souza Oliveira – Vogal – pela candidatura própria

17.  Nilton Nascimento – Vogal – pela candidtura própria


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