Meio Ambiente

QUEIMADA 28/09/2017 14:34

Fogo destrói 39 mil hectares do Parque do Xingu e brigadistas tentam evitar alastramento até aldeias

Equipe do Ibama e 38 brigadistas indígenas tentam conter as chamas para evitar que cheguem até as aldeias localizadas no território indígena.

Da Redação


O incêndio no Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, que teve início há três semanas, já devastou cerca de 39 mil hectares. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a área queimada representa uma quantidade considerável no território indígena.
O chefe do Ibama, Leandro Nogueira, explicou que apesar de o fogo ter devastado uma parte do território indígena, o número é 20% menor a mesma época do ano passado, quando ocorreram incêndio no Parque Nacional do Xingu.
A queda nos focos de incêndio, segundo Leandro, é resultado de um intenso trabalho de manejo de fogo. A estratégia foi colocada em prática em julho deste ano, após parceria entre equipe do Ibama e lideranças indígenas.
“São procedimentos técnicos aliados à experiência de índios mais velhos, que costumavam usar fogo para caçar e preparar a terra para plantar. Ensinamentos que os índios mais jovens desconhecem. Eles se sentiram valorizados”, contou.

Indígenas que tentam apagar o fogo foram treinados para atuar como brigadistas (Foto: Leandro Nogueira/ Ibama)
A técnica consiste em trabalho prévio utilizando a queima controlada, ou seja, a equipe do Ibama separa o território em quadrados e monitora o fogo, para que ele queime apenas o estoque combustível na área, como folhas secas.
A metodologia foi nomeada pelo Ibama de Manejo Integrado do Fogo (MIF), segundo Leandro, a estratégia foi aplicada em território indígena pela primeira vez no Brasil.
 
“É um marco na gestão de fogo, mas o mais importante foi a participação de índios de 80 e 90 anos nesse projeto. Gostaríamos que não houvessem incêndio, mas o importante é que ele não se alastrou como no ano passado”, explicou.
Para Leandro, a estratégia é importante para reduzir os gastos que são consequência dos incêndios. De acordo com ele, atualmente o Ibama possui 103 funcionários no estado.
“Quando chega essa época e começa a pegar fogo, gastasse muito dinheiro com diárias para mão de obra, helicópteros, barcos e combustível. É um recurso que não possuímos atualmente”, explicou.
 

Proteção das aldeias
 
Durante as três semanas de incêndio, uma das preocupações do Ibama e dos 38 brigadistas indígenas é controlar os focos de fogo para que eles não cheguem até as aldeias que estão no território.
A área mais atingida pelos fogos de incêndio está localizada no município de Gaúcha do Norte, a 595 km de Cuiabá, onde vivem índios da etnia Kalapalo.
Leandro define a metodologia de controle do fogo como um trabalho de “peão”, pois, de acordo com ele, como o Ibama não possui funcionários suficientes, a contenção precisa ser realizada manualmente.
“Usamos enxadas, abafadores e bombas para borrifar água. Contamos com a ajuda dos índios para realizar o trabalho, já que temos poucas pessoas para trabalhar. Por isso precisamos fazer um trabalho manual”, explicou.
 

Incêndios criminosos
 
Leandro explicou que incêndios criminosos são comuns no local em retaliação a uma demarcação de território indígena, em 2016. Para ele, a probabilidade do fogo ter começado de forma natural é quase nula.
Segundo ele, os crimes são cometidos por não-indígenas, que antes habitavam a região onde atualmente pertence ao território indígena Pequizal do Naruvôto, em Gaúcha do Norte. A área atingida fica na divisa com o Parque Indígena do Xingu.
 
“Como forma de retaliação, essas pessoas começam a provocar incêndios no local. Diariamente somos notificados sobre casos como esse”, explicou.

Fonte: G1 MT


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