Nacional

'SENVERGÓVIA' 28/02/2018 09:12

Jungmann exigiu exoneração de Segóvia após assumir novo ministério

Para demonstrar força no novo cargo, ministro Raul Jungmann exigiu de Temer que Segóvia fosse exonerado do comando da Polícia Federal

Reuters

A decisão de trocar o comando na Polícia Federal foi tomada na noite de segunda-feira, depois de uma avaliação de que Fernando Segovia havia perdido a capacidade de interlocução com o Judiciário e o Ministério Público, além de ter gerado divisões dentro da própria PF após uma entrevista à Reuters, disseram fontes palacianas.

Quando a entrevista concedida à Reuters foi publicada, no dia 9 de fevereiro, a avaliação no Planalto já era de que havia sido "um tiro no pé".

Apesar da defesa que Segovia fez do presidente, o então diretor-geral, ao dizer que não havia indícios de crime no chamado inquérito dos portos e indicar que o mesmo poderia ser arquivado, deu mais evidência ao caso e acabou tornando o arquivamento puro e simples mais difícil.

Demitir Segovia naquele momento, no entanto, alimentaria a crise e causaria constrangimento ao diretor-geral que foi escolhido diretamente pelo presidente, com indicações de auxiliares próximos. A criação do Ministério de Segurança Pública, no entanto, criou o momento para a troca na PF ser feita.

"Ele não tinha mais diálogo com o STF, com a PGR. E acabou por alimentar divisões internas dentro da Polícia", justificou uma das fontes. "Jungmann precisa de coesão nesse momento."

A troca do comando da PF também é uma demonstração de força do novo ministro. O Planalto informa oficialmente que Jungmann recebeu carta branca para nomear sua equipe --normalmente a troca do comando da PF é decidida em conjunto com o presidente da República.

Temer se reuniu na noite de segunda-feira com Jungmann, quando a troca foi acertada. O nome de Rogério Galloro --que era o preferido do ministro da Justiça, Torquato Jardim, para substituir o ex-diretor-geral Leandro Daiello, em novembro do ano passado-- foi sugerido por Jungmann.

Segovia foi pego de surpresa pela decisão, disse a fonte. O delegado, que esteve na posse de Jungmann, esteve em uma longa reunião com Jungmann e outros secretários da pasta. O diretor-geral só teria sido informado da demissão depois da reunião.


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