Nacional

01/03/2018 08:29

Lula sem medo de nada: "Vou até o fim"

Em entrevista à Mônica Bergamo, Lula demonstrou tranquilidade e afirmou que não teme nada e que a pressão está do lado de quem o acusa sem provas. Líder absoluto em todos os cenários de intenção de voto para 2018, o ex-presidente disse que só discutirá outra candidatura se ficar definitivamente excluída a possibilidade de que ele mesmo disputar a eleição

Brasil 247

O ex-presidente Lula concedeu uma longa entrevista à jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, em que voltou a reafirmar sua tranquilidade diante da certeza de sua inocência e da ausência de provas que o incriminem.  "Sabe por que não tenho medo? Porque eu tenho a consciência tão tranquila. Sabe do  que eu tenho medo de verdade? É se esses caras pudessem mostrar à minha bisneta que fez um ano no domingo que o bisavô dela roubou um real. Isso realmente me mataria", disse o petista.

Lula rejeitou a comparação do atual momento com o período que antecedeu o suicídio de Getúlio Vargas. "Até porque não vou me matar. Eu gosto da vida pra cacete. E quero viver muito. Tô achando que eu sou o cara que nasceu para viver 120 anos. Dizem que ele já nasceu, quem sabe seja eu?", disse o ex-presidente.

"Tô me preparando. Levanto todos os dias às 5h da manhã, faço duas horas e meia de ginastica, tomo whey [complexo de proteínas] todo dia para ficar bem forte. E vou levando a vida assim. Eu não tenho essa perspectiva nem de me matar nem de fugir do Brasil. E vou ficar aqui. Aqui eu nasci, aqui é o meu lugar. Eu não tenho medo de nada. Só de trair o povo desse país. É por isso que eu estou aqui, fazendo a minha guerra", completou Lula, bem humorado. 

Líder absoluto nas pesquisas, Lula aproveitou para falar como sua candidatura incomoda. Tanto à esquerda quanto à direita. O petista rebateu a declaração de Ciro Gomes de que "ninguém acredita que ele seja candidato". 

"Quando chegar o momento certo, o PT pode discutir todas as alternativas. Eu sou contra boicotar as eleições", disse. "Se eu não acreditasse na possibilidade de a Justiça rever o crime cometido contra mim pelo [juiz Sergio] Moro, [que o condenou à prisão] e pelo TRF-4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que confirmou a sentença], eu não precisaria fazer política", destacou.

O ex-presidente criticou o jogo de cena de Ciro Gomes para se manter em evidencia a partir de ataques à uma candidatura Lula à Presidência da República.  "(...) não acho que ninguém acredita na possibilidade de eu ser candidato. Era mais fácil o Ciro dizer 'tem gente que não quer que Lula seja candidato'. E ele quem sabe se inclui nisso", alfinetou.

Para Lula, os líderes partidários e políticos que tem interesse direto na cadeira de Presidente do Brasil são unânimes em ser contra a sua candidatura ao Palácio do Planalto. "No Brasil, só tem uma unanimidade hoje no meio político: as pessoas não querem que o Lula seja candidato. O Temer não quer, o Alckmin não quer, o Ciro não quer. Eles pensam: 'ele [Lula] vai para o segundo turno e pode até ganhar no primeiro. Se ele não for candidato, em vez de uma vaga no segundo turno, podemos disputar duas'. Comigo fora do páreo, aumenta a chance de todo mundo.", concluiu o ex-presidente petista.


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