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MINISTRO DA PERSEGUIÇÃO 04/11/2018 09:56

Bolsonaro escolheu Moro para domar Congresso e calar opositores

Bolsonaro coloca Sérgio Moro no superministério da Justiça e Segurança para garantir a cooptação de deputados e senadores "rebeldes" ou da oposição

Da Redação

Com Brasil 247/ O Globo

O cerco constante dos esquadrões de bolsonarianos reais e bots virtuais nas redes sociais e as informações privilegiadas da Lava Jato e da Abin serão as duas principais táticas de Jair Bolsonaro para formar e manter uma maioria confortável no Congresso Nacional. Essa é a constatação mais óbvia feitas por analistas políticos independentes após os primeiros movimentos do eleito presidente para compor seu estafe de primeiro escalão.

Depois de usar táticas novas de comunicação para ganhar espaço e vencer as eleições, Bolsonaro e seu grupo também pretendem 'inovar' na comunicação com a imprensa e com o Congresso. Após o bombardeio de fake news, disparos em WhatsApp e outras técnicas de persuasão ainda sequer catalogadas para regulamentação, a ordem de governança que aponta no horizonte do país é: Bolsonaro  vai chamar seus aliados mais fanáticos para pressionar o congresso de fora pra dentro via Twitter, Facebook e emails e, no poder, Sergio Moro já está destacado para "domesticar" parlamentares eventualmente rebeldes da sua base de apoio e mesmo da oposição.

Uma reportagem do jornal O Globo ( "Com Moro e redes sociais, Bolsonaro prevê nova relação com o Congresso" - só para assinantes) traduz esse novo protocolo de maneira mais asséptica: "o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), promete apostar em uma nova dinâmica para construir a relação do governo com o Congresso Nacional. Ainda embrionária, a estratégia é usar o peso do resultado das urnas para formar maioria e, caso seja necessário, a pressão das redes sociais para fazer avançar sua agenda".

No governo de Bolsonaro, no entanto, a peça chave nas relações com o Congresso deve ser mesmo o "xerife" Sérgio Moro. Mais do que agradar seus fãs, o eleito presidente tem em mente os dossiês sobre os políticos brasileiros montados por Moro e sua equipe na Lava Jato como arma de dissuasão contra os parlamentares "rebeldes" e a oposição. 

A matéria de O Globo destaca o papel político de Sergio Moro, no entanto, de forma suave, dando um tom de legitimidade prévia às ações que desenvolverá: "ao nomear o juiz Sergio Moro para a Justiça, o governo sinaliza ainda que será inflexível na proposta de não trocar apoio por cargos, ao mesmo tempo em que reforça a euforia de seus apoiadores. A aposta do novo presidente é que a nomeação de Moro ajude a manter sua popularidade em alta e lhe dê força para se sobrepor no Congresso aos interesses da velha política. Parlamentares, porém, são céticos em relação à implementação de um novo modelo que não passe pela tradicional negociação do Palácio do Planalto com os partidos".

Na prática, a escolha de Moro para o cargo de superministro da Justiça e Segurança é um recado claro aos adversários de que a vida de todos é não será apenas um livro aberto e acessível ao Palácio do Planalto, como também está sujeito a receber novas inscrições e narrativas fora de seu controle pessoal.

A opinião de líderes do Congresso relativiza a estratégia de Bolsonaro: "o atual líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), concorda que as redes sociais têm um papel importante e entende que o presidente eleito deve continuar usando esse expediente para se comunicar com a população. Ele pondera no entanto que a popularidade de Bolsonaro não é absoluta e que o país vem de uma eleição em que houve alta polarização. O peso das redes como ferramenta de pressão sobre os parlamentares, avalia, é relativo". Não está errado de todo o deputado. Mas, com certeza, está substitmando de forma infantil até as más intenções do eleito presidente.

Ribeiro diz mais: "é natural que ele continue usando as redes sociais, que têm muita influência sobre a população. Mas o ambiente também está muito polarizado. Naturalmente haverá embates nas redes sociais sobre temas polêmicos como a reforma da Previdência. As redes têm um papel importante. Mas isso não quer dizer que o Bolsonaro vai colocar um tema e terá aderência imediata no Congresso", pondera desconsiderando o peso que terá Sérgio Moro na hora de definir os votos necessários a aprovação das pautas de interesse exclusivo do Executivo bolsonariano.


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