Nacional

VAZA JATO 01/08/2019 07:53

Dallagnol investigou ilegalmente e estimulou colegas a atacar o ministro do STF Dias Toffoli

Conversas vazadas ao The Intercept Brasil mostram que Deltan Dallagnol praticou mais uma grave ilegalidade ao usar a estrutura de inteligência para investigar secreta e informalmente a vida pessoal do ministro Dias Toffoli, do STF, e de sua esposa.

Da Redação

O procurador Deltan Dallagnol, chefe da Força Tarefa Lava Jato em Curitiba, articulou com colegas da Procuradoria Geral em Brasília, ataques ao ministro Dias Toffoli, do STF. A revelação foi feita na manhã desta quinta-feira,01, pelo jornal Folha de São Paulo a partir dos arquivos da Vaza Jato entregues por fonte anônima ao site The Intercept Brasil. 

Segundo a publicação da FSP, novos chat de conversas analisados pela reportagem do jornal e do site mostram que Dallagnol estimulou ataques ao presidente do STF em 2016/2017 como um revide por ele ter soltado o ex-ministro Paulo Bernardo, marido da presidenta do PT, deputada federal Gleise Hoffmann, e por ter votado para limitar a ação da Lava Jato e retirar das mãos da República de Curitiba as investigações do chamado Caso Eletronuclear.

Ministros do STF não podem ser investigados por procuradores de primeira instância. Deltan Dallagnol, no entanto, procedeu ilegalmente ao usar recursos de inteligência da PF e da Receita Federal para levantar informações sobre a vida pessoal Toffoli e de sua esposa.

Deltan buscou informações sobre as finanças pessoais do ministro da Suprema Corte e sua mulher a fim de levantar evidências que os ligassem a empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras e usar tais informações para desmoralizar publicamente o STF.

No dia 13 de julho de 2016, Deltan fez uma consulta aos procuradores que negociavam, em Brasília, uma delação coletiva de executivos da empreiteira OAS.  "Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?", perguntou no grupo que eles usavam no Telegram. "Que eu saiba não", respondeu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, do Distrito Federal. "Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela."

Na época, Deltan "vazou" uma delação de executivos da OAS e a revista Veja publicou uma matéria apontando que o apartamento do ministro Dias Toffoli teria sido reformado pela empreiteira, supostamente como benefício à algum tipo de favorecimento. O caso gerou mal-estar entre o STF e a Procuradoria Geral da República (PGR).  Para evitar uma racha e a perda total de credibilidade, a PGR decidiu suspender as negociações com a empreiteira.  

A medida da PGR gerou uma dissensão dentro da Lava Jato em Curitiba, conforme revelam agora as conversas do Telegram vazados ao The Intercept.

Leia Aqui a matéria da Folha de São Paulo.


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