Pauta Agro&Business

ETANOL 06/12/2017 08:16

Tarifa não impede importação de etanol pelo Brasil, novos negócios são possíveis

Em outubro, segundo dados mais recentes da reguladora ANP, o país ultrapassou a cota trimestral isenta de tarifa, pagando a taxa sobre a compra de aproximadamente 51 milhões de litros do biocombustível.

Da Redação

As importações de etanol pelo Brasil seguiram fortes nos últimos meses mesmo após importadores superarem os volumes que poderiam ser comprados com isenção tarifária, e novos negócios são possíveis mesmo com uma taxa de 20 por cento extra cota diante de um consumo crescente, disseram analistas nesta sexta-feira.

Em outubro, segundo dados mais recentes da reguladora ANP, o país ultrapassou a cota trimestral isenta de tarifa, pagando a taxa sobre a compra de aproximadamente 51 milhões de litros do biocombustível.

Desde setembro, o Brasil aplica limites tarifários ao álcool importado, atendendo a um pleito da indústria local, que no primeiro semestre viu os preços do etanol desabarem no mercado interno em razão de uma disparada nas compras externas.

Pela decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), as importações de etanol sem tarifa são limitadas a 150 milhões de litros por trimestre, ou 600 milhões de litros por ano, por um período de 24 meses. Acima desses volumes, há a incidência de uma taxa de 20 por cento.

"Ocorrem negócios nesses sentidos, mas não posso afirmar se abriu a janela para todo mundo. Tem de se levar em consideração todos os impostos que os compradores pagam. Pode ser que no Nordeste tenha compensado", comentou João Paulo Botelho, analista da INTL FCStone.

Com os preços da gasolina elevados no mercado interno, as vendas de etanol hidratado nos postos ficaram mais competitivas e subiram 14,8 por cento em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados da ANP divulgados na véspera, colaborando com as compras externas do biocombustível anidro, cujos preços estão relacionados.

"Ainda é possível a importação porque há certa margem, pequena, mas há. Internalizando-se os preços, há alguma competitividade. Não é um ágio grande, mas não é negativo", acrescentou Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e diretor da consultoria Canaplan.

Dados divulgados na quinta-feira pela Agência Nacional o Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que essa cota livre de taxa foi superada em outubro.

O Brasil importou quase 110 milhões de litros de etanol anidro em setembro e mais 91 milhões de litros em outubro, ante 72 milhões de litros no mesmo mês do ano passado, totalizando 201 milhões de litros em dois meses.

Importações de etanol em novembro, portanto, também foram taxadas, zerando-se novamente a cota a partir deste mês --não há dados do mês passado até o momento.

Carvalho, da Canaplan, não mensurou o tamanho da margem para importar, mas explicou que os preços domésticos estão em patamares muito elevados.

Isso permite buscar etanol no exterior e comercializá-lo internamente com algum ganho, em especial pelos compradores do Norte-Nordeste, mais próximos dos Estados Unidos, os principais fornecedores nacionais.

Nas usinas, os preços do etanol estão em alta há dez semanas, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O avanço é resultado da maior demanda pelo biocombustível, que ganhou competitividade sobre a gasolina após altas tributárias maiores para o derivado de petróleo.

Dados divulgados nesta semana pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), por exemplo, evidenciam o interesse das usinas pela produção de etanol, em detrimento do açúcar. Na primeira quinzena de setembro, a fabricação do biocombustível saltou mais de 15 por cento.

TENDÊNCIA

Os 91 milhões de litros de etanol importados pelo Brasil em outubro representam queda de 18 por cento ante setembro, mas ainda são 26,7 por cento maiores na comparação com igual mês de 2016.

A quantidade fica distante do pico de 257,4 milhões de litros observado em fevereiro, quando as importações estavam a todo vapor. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, as importações alcançam 1,7 bilhão de litros, alta de 305 por cento.

Para os próximos meses, um arrefecimento nas compras é incerto.

Conforme Botelho e Carvalho, isso dependerá da demanda por combustíveis, já que o anidro é mistura à gasolina; do nível de preços, que agora oscilam mais livremente, segundo a política da Petrobras; e também do volume estocado para a entressafra de cana no centro-sul, que vai até abril.

Fonte: Portal do AgroNegócio

 


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