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AMAZÔNIA 11/01/2018 07:35

Relatório mostra que 1,2% do desmatamento na Amazônia decorreu do plantio de soja

Relatório apresentado pelo Grupo de Trabalho da Soja (GTS), formado por produtores, compradores, sociedade civil e governo, demonstra que, em 11 anos, apenas 1,2% do desmatamento na Amazônia foi decorrente do plantio do grão.

Da Redação

De acordo com dados do monitoramento por imagens de satélite dos plantios de soja na Amazônia Legal, na safra 2016/2017, a moratória da soja é uma iniciativa bem-sucedida para proteger o bioma.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília. “Com a moratória, praticamente acabou o desmatamento por plantio de soja na Amazônia sem acabar o seu plantio, mostrando que é possível desenvolvimento sem desmatar”, defendeu o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. “É uma ação conjunta na qual a sociedade civil e os produtores têm um papel importantíssimo”, destacou.

O acordo teve início em 2006, quando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), por pressão da sociedade civil e do mercado internacional, declararam não comercializar ou financiar soja oriunda de áreas desmatadas na Amazônia Legal após junho de 2006. Com a publicação da Lei 12.651/12, o novo Código Florestal, essa data foi alterada para julho de 2008, ano de adesão do governo federal ao compromisso setorial.

Atualmente, está presente em sete estados da Amazônia Legal: Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá, Maranhão e Tocantins. Nos 89 municípios monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 94,4% do desmate não está associado à conversão de terras para o plantio – a produção ocorre em áreas de pastagem degradada ou em áreas desmatadas antes de 2008, ano-base da moratória.

O GTS, instância de coordenação da moratória da soja, é formado por instituições como a Abiove, Anec, Greenpeace, WWF, Conservação Internacional, MMA, Banco do Brasil e Inpe, entre outras.

O ministro Sarney Filho afirmou, ainda, que o acordo setorial é exemplo para o mundo e defendeu que seja estendido para o bioma Cerrado. “É inevitável que o Cerrado passe pelo mesmo processo. Todos sairão ganhando”, disse. Um Grupo de Trabalho do Cerrado (GTC) vem trabalhando, desde 2017, em propostas para conter o avanço da fronteira agrícola no bioma mais desmatado do país. Atualmente, 54% da soja brasileira é produzida no Cerrado, com novas frentes de plantio na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Para fazer frente a esses desafios, o MMA compôs dois grupos de trabalho, na primeira semana de 2018: um para tratar do controle do desmatamento na cadeia produtiva da soja e outro, no setor pecuarista. Ambos têm o objetivo de propor ações de prevenção e contribuir para a execução dos planos de combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado. “As medidas são necessárias para o cumprimento das metas brasileiras dentro do Acordo de Paris sobre mudança do clima”, defendeu o secretário de Mudança do Clima e Florestas do MMA, Everton Lucero.

Segundo o estrategista sênior de Florestas do Greenpeace, Paulo Adário, um dos coordenadores do GTS e pioneiro nas tratativas da moratória da soja, a iniciativa consegue conciliar a proteção ao meio ambiente com a produção de alimentos, por meio do diálogo entre o setor produtivo, a sociedade civil e o governo. O consultor da Abiove e também pioneiro da moratória, Carlo Lovatelli, o pacto confere credibilidade ao setor e traz bons resultados. “É possível produzir conservando os recursos naturais, conforme exigências do mercado internacional”, afirmou.

Números

– A média do desmatamento nos municípios monitorados caiu de 6.847 km²/ano (2002-2008) para 1.049 km²/ano (2009-2016) – uma redução de 85%.

– Menos de 2% da expansão dos plantios de soja se deu em áreas desmatadas após julho de 2008. De um total de 4,5 milhões de hectares plantados na safra 2016/2017, apenas 47.365 hectares não estão em conformidade com a moratória.

– Desde o início da moratória, a área cultivada com soja no bioma Amazônia aumentou quatro vezes, passando de 1,14 milhão de hectares, na safra 2006/07, para 4,48 milhões de hectares na safra 2016/17, o que corresponde a 13% do plantio nacional de soja.

Fonte: AgroNotícias


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