Pauta Agro&Business

MANDIOCA 31/01/2018 07:33

Produção de mandioca cai e preço bate recorde

Consumida in natura das mais diversas formas – frita, cozida, em purê ou caldos –, a mandioca, eleita o alimento do século 21 pela Organização das Nações Unidas (ONU), vem ganhando cada vez mais destaques nas mesas e nas indústrias, ou na alimentação do gado

Da Redação

O Brasil é o maior exportador da fécula, mas o subproduto é também utilizado nas indústrias têxtil, siderúrgica, farmacêutica, de explosivos, tintas, calçados e madeireira – transformado em cola. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de raiz de mandioca atingiu 23,71 milhões de toneladas em 2016, com uma área colhida de 1,55 milhão de hectares. Em 2017, a previsão é de que a safra tenha sido 15% inferior, sendo estimada em 20,02 milhões de toneladas, devido à redução da área plantada observada na maioria dos estados brasileiros. No ano passado, com a produção em queda (cerca de 15%), o preço médio do produto no mercado atingiu o maior patamar em 15 ou 20 anos, dependendo do estado. Como ocorreu em outros anos de forte oscilação de valor, a expectativa é de que a próxima safra tenha aumento na produção.

Em Minas Gerais, a fabricação de farinha se concentra nas regiões Norte e Triângulo, já a fécula (polvilho) é mais comum ao Sul, em Conceição dos Ouros e Cachoeira de Minas, que também produz a mandioca industrial. Já na indústria de panificação, de acordo com Sérgio Brás Regina, coordenador de Culturas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais (Emater-MG), falta maior conhecimento das vantagens de utilização do produto: “A indústria de panificação poderia aproveitar mais a mandioca em relação ao trigo. Cultivo barato, de alto valor alimentar, com excelentes propriedades nutricionais. E é uma planta estratégica uma vez que o trigo é cultura de inverno, exige muita tecnologia, em grande, parte é importado. O polvilho e as farinhas poderiam ser mais utilizados na panificação, melhorando a renda da agricultura familiar”.

O cultivo da raiz rústica enfrenta diversidades climáticas em Minas, entre o frio do sul e o calor do Norte do estado, resiste bem à seca, uma vez que não necessita de muita água e não depende de mutos defensivos ou nutrientes químicos. Em sistemas de monocultura e em áreas mais extensas, há a necessidade de controle de algumas pragas, como no caso do percevejo e do mandrová (uma lagarta) originária de mariposa que come as folhas. Grande parte da produção é orgânica, no caso da espécie de mesa, e por ser produto sem valor agregado, esses cultivos não são certificados.

A agricultura familiar, principalmente, cultiva a planta praticamente sem uso de insumo químico. Sua raspa e suas folhagens são utilizadas na alimentação do gado. “A mandioca industrial (também conhecida como mandioca brava) tem propriedades altamente proteicas, em suas folhas e raspas, mas contém ácido cianídrico. Deixamos no sol para ser volatizado e pode ser consumidos pelos animais”, explica Sérgio Brás Regina.

Boas propriedades

A mandioca Manihot esculenta (gênero), tem variáveis, mas a que consumimos tem o centro de origem de diversidade na América do Sul, principalmente no Brasil, de onde na época das grandes navegações foi distribuída para todo o mundo, explica Georgeton Soares Ribeiro Silveira, coordenador de Olericultura da Emater-MG. Entre suas propriedades abriga dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose que fazem a glicose ser liberada mais lentamente para o corpo evitando aumento de açúcar no sangue, e poupa o pâncreas de trabalhos exaustivos, reduzindo o risco de diabetes tipo 2. Além do carboidrato, possui fibras, vitamina C e minerais como o potássio, o magnésio e o cálcio. Pesquisadores utilizam o cruzamento de variedades realçando a presença de carotenoides que protegem contra o envelhecimento.

Georgeton explica que a Embrapa Cerrados, com sede em Brasília-DF, por intermédio do seu pesquisador, Josefino Fialho, trabalhou algumas cultivares de mandioca para mesa e indústria. “Entre as cultivares para mesa foram lançadas aquelas denominadas biofortificadas. A cultivar biofortificada possui na sua composição algum tipo de enriquecimento nutricional, que no caso destas cultivares é rica em carotenoides, que denota a cor amarela na polpa, precursores de vitamina A. Em outra cultivar houve o enriquecimento com licopeno que previne o câncer de próstata”.

Preparativos

Para o plantio, Georgeton Silveira recomenda avaliação técnica de adaptação para verificar o nível de produtividade e resistência a pragas e doenças. O terreno escolhido para o cultivo deverá ter uma declividade inferior a 5% para evitar o processo erosivo. Para que haja um bom desenvolvimento das raízes o solo deverá ser de textura média facilitando a colheita. “Mesmo sendo uma planta rústica, para que haja um maior aproveitamento da capacidade produtiva, é necessário avaliar a capacidade nutricional do solo por meio da análise de solo e assim fazer as correções necessárias para o suporte da cultura.”

A propagação ou multiplicação da planta é feita de forma vegetativa, através da divisão do caule da planta, chamada de maniva (muda), seccionando em tamanhos de aproximadamente 20 cm e fazendo o plantio na cova ou sulco. Para mandioca de mesa o tempo de colheita deverá ser de 8 a 12 meses, já a mandioca para indústria para que haja um maior acúmulo de matéria seca, deverá ser de 14 a 16 meses.

O cultivo deve ocorrer, em regiões onde não há irrigação, no início do período chuvoso. Caso haja possibilidade de irrigar, em regiões onde as temperaturas estejam entre 20 graus Celsius a 27 graus, o plantio poderá ocorrer durante o ano todo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGER), o Pará é o maior produtor, seguidos do Paraná e Bahia. Minas Gerais cultiva 85 mil hectares entre mesa e industrial, uma média de 844 mil toneladas de mandioca por ano. A produtividade média é em torno 14 toneladas por hectare.
 
Fonte:  Portal do Agronegócio


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