Pauta Jurídica

GRAMPOLANDIA 12/03/2018 07:47

Ex-secretário de segurança nega participação em grampos ilegais

Rogers Jarbas acusou o delegado Flávio Stringuetta de estar conduzindo as investigações de forma tendenciosa para prejudicá-lo

Da Redação

Em depoimento junto a 11ª Vara Criminal de Cuiabá nesta sexta-feira (09), o ex-secretário de Segurança Pública do Estado Rogers Jarbas negou qualquer tipo de envolvimento no esquema clandestino de interceptações telefônica investigado por meio da Operação Esdras, e ainda acusou o delegado Flávio Stringuetta de estar conduzindo as investigações de forma tendenciosa.

Ele afirma que só teve conhecimento do caso após ele se tornar público, e garante que durante todo o tempo que integrou o primeiro escalão estadual nunca tratou sobre este assunto com o governador Pedro Taques (PSDB) ou qualquer outro membro do Governo. “Só sei dos fatos pela imprensa”, garantiu.

De acordo com Rogers, todas as questões tratadas pelo governador eram formalizadas. Diante disso garante que enquanto secretário, não recebeu qualquer tipo de denúncia referente aos grampos ilegais. “Nunca recebi nada formal em relação a isso”, enfatizou o ex-secretário acrescentando que, se quer, teve acesso a denúncia formalizada pelo promotor Mauro Zaque sobre o caso.

O delegado afirma que quando a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, oficiou o Governo sobre suspeita de "barriga de aluguel" em uma investigação, o governador lhe chamou, para repassar o documento. Tratava-se da Operação Fortis.

Ele afirma que o ofício foi encaminhado a delegada Alana Cardoso, que tratou de responde-lo. Foi assim que se instaurou um procedimento investigatório pela Corregedoria da Polícia Civil. Porém, dias depois o desembargador Orlando Perri determinou que as investigações fossem conduzidas pelo Tribunal de Justiça, e designou que o delegado Flávio Stringuetta as conduzissem.

Para Jarbas, Stringuetta conduziu as investigações para levantar as informações contra o Governo, e o acusou de inventar as ameaças contra a vida do governador Pedro Taques. “Ele queria, de forma tendenciosa, investigar o governo”, disse.

Para ele, a inserção de números telefônicos nas investigações da Operação Fortis foi feito pela ex-adjunta de Inteligência da Sesp, Alessandra Saturnino, e a delegada Alana Cardoso.

Roger ainda afirma que Stringueta mentiu ao afirmar que recebeu denúncia anônima, por meio de um telefone público, tratando sobre o envolvimento de João Arcanjo, em trama para atentar contra a vida de Taques, uma vez que tinha interesses políticos em ouvir o Governo, pois era contrário à administração.

Além de Roger, a delegada Alessandra Saturnino de Souza também prestou depoimento na 11ª Vara nesta sexta-feira (09). Assim como o delegado, ele garantiu que só ficou sabendo da dimensão do esquema de grampos ilegais por meio da mídia.

Os depoimentos foram colhidos pelo juiz Murilo Mesquita Moura.

O escândalo envolvendo interceptações telefônicas ilegais veio à tona em maio do ano passado, quando o ex-secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques deixou o governo.

A arapongagem estaria sendo realizada desde 2014. Entre as vítimas da arapongagem estão os dois coordenadores jurídicos das campanhas adversárias de Taques em 2014, José do Patrocínio (campanha de Lúdio Cabral - PT) e José Antônio Rosa (campanha de Janete Riva - PSD). E também o ex-candidato a governador, José Marcondes, o "Muvuca", a deputada estadual Janaina Riva (PMDB) e desembargador aposentado José Ferreira Leite.

(Fonte:Diário de Cuiabá)


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