Pauta Jurídica

COMANDO VERMELHO 04/07/2019 14:05

PCC lucraria R$ 450 mil com celulares que estavam em freezer levado para dentro de presídio

Para o MPE, a facção criminosa Comando Vermelho articulou o esquema para aparelhar seus "soldados" dentro da PCC com os celulares a fim de fortalecer o grupo para a chegada do líder Sandro Louco ao presídio

Da Redação

O Comando Vermelho (CV), teria um lucro de até R$ 450 mil caso o freezer carregado com denzenas de celulares e acessórios tivesse sido entregue aos bandidos presos na Penitenciária Central de Cuiabá (PCC). A estimativa é do Ministério Público Estadual (MPE) que afirma que a entrada de 86 celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE) faria parte de uma estratégia de expansão da facção no estado prevista com a volta do líder criminoso Sandro Louco ao presídio da capital mato-grossense. A informação consta da denúncia oferecida pelo MPE à Justiça no bojo do inquérito que apura o caso.

 Foram denunciados Paulo Cesar dos Santos, vulgo “Petróleo”, e Luciano Mariano da Silva, conhecido como “Marreta”, ambos pertencentes ao Comando Vermelho; o então diretor da PCE, Revétrio Francisco da Costa; o vice-diretor, Reginaldo Alves dos Santos e os militares Cleber de Souza Ferreira, Ricardo de Souza Carvalhaes de Oliveira e Denizel Moreira dos Santos Júnior. Todos investigados na Operação Assepsia, que apura a entrada dos aparelhos escondidos no eletrodoméstico.

Conforme o documento, todo o esquema para entrada dos aparelhos foi tratado pelos criminosos com os militares do setor de inteligência da corporação. Depois, a negociação foi passada aos diretores, que aceitaram receber o refrigerador com os produtos. Segundo depoimento de Petróleo, os agentes cobraram R$ 1,2 mil para cada celular que entrasse na unidade, totalizando R$ 103 mil pelo serviço.

Cada equipamento é valioso dentro da prisão, uma vez que os detentos conseguem contato com membros de grupos criminosos fora dos muros da cadeia e mantém a administração dos delitos. 

“Um aparelho celular que na rua pode ser comprado por R$ 700,00, por exemplo, chega a ser vendido a R$ 5.000,00 no interior do presídio. 86 celulares e demais apetrechos apreendidos, que podem ter sido adquiridos pelo mercado negro por 40 a 50 mil reais, seriam transformados em mais de 450 mil reais”, diz trecho do documento.

No dia da apreensão dos aparelhos, 6 de junho, e após reunião de todos os envolvidos, exceto “Marreta”, na sala de Revétrio, o vice-diretor Reginaldo Alves teria alertado Petróleo a retiras os celulares da geladeira, durante a noite, e utilizasse a cola que estava junto com o material para fechá-lo novamente. 

Os promotores pontuam na denúncia que, com a chegada do líder maior do Comando Vermelho em Mato Grosso, Sandro Louco, teria direta ligação com a entrada dos celulares. 

“Interessante essa coincidência entre a chegada do chefe supremo da facção e a entrada do freezer recheado com 86 celulares, apurada nestes autos. Isso demonstra que os três policiais militares, juntamente com os dois diretores da PCE, aliaram-se a esses líderes e entabularam a entrada dos celulares, para o bom proveito da facção, oportunizando a sua expansão e boa administração da atividade criminosa”, diz trecho da denúncia. 

No documento, o MPE narra breve histórico do Comando, nascido no Rio e iniciado em solo mato-grossense pela iniciativa de Sandro Louco. Conhecido pela extrema violência, o grupo cresceu nos últimos 2 anos e o investigações estimam que pelo menos 6 mil criminosos sejam ligados à facção no estado.

Fonte:GD/ASCOM MPE


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