Polícia

MILAGRE 06/06/2018 10:26

Enterrada viva bebê indígena é resgatada com vida sete horas depois

Enterrada viva pela bisavó, a criança foi salva por policiais civis e militares que cavaram com as mãos o buraco onde ela estava no quintal da casa

Da Redação

Com Assessoria

Uma bebê recém-nascida da etnia Kamayurá, enterrada viva no quintal da casa da família em Canarana (823 km de Cuiabá), foi resgatada com vida depois de mais de sete horas e sobreviveu. A bebê foi salva pela polícia, acionada por uma funcionária da Casa do Índio (Casai), mantida pela Funai na cidade para atender indígenas da região do Xingu e Araguaia.

Segundo a polícia, a bebê recém-nascida teria sido enterrada por volta das 14 horas de terça-feira,05, logo após a mãe, uma adolescente de 15 anos, dar a luz em casa. A suspeita de infanticídio foi comunicada à polícia por volta da 20h30, portanto quase sete horas após a bebê ter sido enterrada. A suspeita foi levantada por uma enfermeira da Casai, que estranhou o fato da jovem ter dado a luz, mas não estar com o bebê.  Pressionada, a jovem contou que a bebê havia nascido morta e tinha sido enterrada conforme o costume da etnia, em uma pequena cova ao lado da casa em que moram.

Depois de acionados para recuperar o corpo da criança, os policiais da 5º Companhia de Canarana se deslocaram até a casa da família indígena e a avó da bebê mostrou o buraco, aos fundos da residência. Os policiais cavaram com as mãos o local indicado e para surpresa de todos, ouviram o choro do bebê.

“Nem a perícia que fica em Água Boa, acreditava. Primeiro era para localizar o corpo, depois acioná-los. Não dá para descrever a sensação ao começar cavar e ouvir o choro da criança. Deu um desespero para cavar ainda mais depressa, com as mãos, com cuidado. A bebezinha é tão pequenina, coube nas duas mãos. Tantas horas depois de enterrada, é um milagre”, relatou o major João Paulo Bezerra do Nascimento, comandante da 5º Companhia. Ele conta que ao se deslocar para o local, acionou imediatamente a equipe da polícia civil que também acompanhou a operação.

A criança foi encaminhada para o hospital municipal e, após avaliação, foi encaminhada para o Hospital  Regional de Água Boa, com suspeita de duas fraturas na cabeça. “Hoje, quarta-feira,06, já tivemos notícias de que ela passa bem, só está com insuficiência respiratória. A mãe M.P.T., 15 anos, e a avó da criança, 33, foram conduzidas à Polícia Civil para esclarecimentos", pontuou o major.  A mãe passou por avaliação médica antes de ir para PJC. 

Aos policiais, a avó disse que a bebê teria nascido morta, de um parto prematuro. Mas segundo avaliação médica, a criança não é prematura, e sim, de uma gestação normal.

BISAVÓ PRESA

A Polícia Judiciária Civil de Canarana autuou em flagrante pelo crime de homicídio tentado praticado pela bisavó da bebê recém-nascida indígena enterrada viva. A criança foi resgatada por policiais civis e militares na noite de terça-feira,05.

Os investigadores apuraram que foi a bisavó da criança quem cortou o cordão umbilical do bebê e também foi a responsável por enterrar a recém-nascida. A mullher, Kutz Amin, de 57 anos, foi presa na manhã desta quarta-feira (06) e alegou que a criança não chorou após o nascimento, por isso acreditou que estivesse morta e, segundo costume de sua comunidade, enterrou o corpo no quintal, sem acionar os órgãos oficiais. 

De acordo com o delegado Deuel Paixão de Santana, o fato só veio a tona e a criança salva, porque a mãe do bebê apresentou hemorragia durante toda a tarde de terça-feira,05 e em razão da necessidade de atendimento médico o fato acabou sendo descoberto por uma enfermeira da Casa do Indio que avisou a polícia. 

A mãe e avó foram ouvidas e liberadas. Já a bisavó será encaminhada para audiência de custódia para deliberação do Judiciário. 

O bebê segue internado em unidade hospitalar de Água Boa.

Em audiência de custódia na tarde desta quarta-feira, a bisavó da criança foi mantida presa e teve o flagrante convertido em prisão preventiva. A índigena foi encaminhada a cadeia de Nova Xavantina. "Mesmo se tratando-se de índigena o  crime é comum. Crime comum contra a vida, portanto competência da Polícia Civil. Seria competência federal se fosse um crime praticado em desfavor da etnia índigena", explicou o delegado. 

 


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