Política Estadual

DELAÇÃO "MONSTRUOSA" 11/08/2017 19:25

Silval Barbosa denuncia Blairo Maggi por pagar R$ 3 milhões pelo silêncio de Eder Moraes

O silêncio do ex-supersecretário dos governos Blairo Maggi e Silval Barbosa teria custado R$ 6 milhões, valor pago meio a meio pelos dois políticos para escaparem de investigações na Operação Ararath

Da Redação

Pauta Extra

O ministro da agricultura Blairo Maggi foi denunciado pelo ex-governador Silval Barbosa de participado de esquema de desvios de recursos públicos e obstrução à Justiça. Em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-governador contou que Maggi pagou R$3 milhões ao ex-secretário Eder Moraes para ele se retratasse em uma denúncia feita ao Ministério Público Estadual.

Moraes havia denunciado Maggi, Silval e o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva, de promovido desvios de recursos públicos para a compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado. Segundo Silval Barbosa, Éder Moraes exigiu R$ 12 milhões para retirar as acusações contra ele e seu antecessor no Governo de Mato Grosso, Blairo Maggi.

No entanto, o valor foi negociado e reduzido para R$ 6 milhões, sendo que o valor foi dividido entre Barbosa e Maggi. O ex-governador revelou ainda que Maggi lhe teria confirmado o pagamento dos R$ 3 milhões em dinheiro para Eder Moraes e que ele, Silval, pagou a outra metade sendo uma parte em dinheiro vivo entregue pelo seu ex-chefe de gabinete, Silvio César Corrêa Araújo e o restante com a quitação de uma dívida do ex-secretário.

Em função do acerto, Moraes se retratou formalmente em inquérito na Polícia Federal, negando o que havia dito em depoimentos ao MPE-MT. Investigado na Operação Ararath, em outubro de 2014, Éder Moraes, disse à PF que havia mentido em pelo menos cinco ocasiões ao MPE a fim de envolver os nomes de Blairo e Silval. Segundo Moraes, os depoimentos tinha sido prestados sob "forte emoção" porque estaria frustrado por não ter conseguido ser nomeado por Maggi como Conselheiro do Tribunal de Contas.

O ex-secretário firmou um Termo de Retratação seguindo orientação de seus advogados em que disse ter mentido. "As declarações foram dadas sob forte domínio emocional, motivado pelo fato de ter sido preterido na indicação para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Prestei inveridicamente diversos depoimentos perante o Ministério Público relativo a várias pessoas deste Estado, dentre elas: autoridades públicas, particulares, empresários, além de outros, e sobre fatos que não se coadunam com a realidade”, narrou o ex-secretário no documento.

Na sua delação à PGR em Brasília, o ex-governador agora desmonta a versão de Eder Moraes e confessa que a retratação foi comprada por ele e Blairo Maggi.

Em nota à Imprensa, Blairo Maggi nega que tenha feito pagamentos à Eder Moraes e que Silval Barbosa mentiu. Veja a íntegra da nota do ministro.

"Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais, coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.
Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

6. Por fim, entendo ser lamentável os ataques a minha reputação, mas estou com a consciência tranquila quanto às minhas ações e assim que tiver acesso ao teor da possível delação, usarei de todos os meios legais necessários para me defender, pois definitivamente acredito na Justiça. O momento exige serenidade e responsabilidade.

Blairo Maggi"

(Com Informações do JN/Globo)

Atualizada as 20:35

 

 


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