Reportagens Especiais

06/07/2015 09:05

Corruptos batem traficantes na indústria da lavagem de dinheiro no Brasil

No Brasil, corruptos j? movimentam mais dinheiro sujo nas "lavanderias" do que os traficantes: PF apresentou o balan?o parcial da Opera??o Lava Jato. Na imagem, dinheiro apreendido em uma das empresas investigadas?

Uol

O volume de recursos p?blicos desviados no pa?s fez surgir uma sofisticada ind?stria de lavagem de dinheiro a servi?o de pol?ticos, empres?rios e servidores p?blicos. A lavanderia brasileira tem hoje estrutura profissional, com m?todos cada vez mais dif?ceis de serem descobertos. Na avalia??o de investigadores, os crimes contra a administra??o p?blica direcionam mais recursos sujos para a lavagem que o tr?fico de drogas - que tradicionalmente movimenta somas expressivas e sempre desafiou as autoridades de combate a il?citos. S? nos inqu?ritos em curso a Pol?cia Federal apura, atualmente, desvios de R$ 43 bilh?es dos cofres da Uni?o. Desse total, R$ 19 bilh?es se referem ?s perdas da Petrobras investigadas na opera??o Lava Jato. O montante ? o triplo do admitido at? agora pela estatal. O valor recuperado ou bloqueado somente nessa opera??o ?, por ora, de R$ 2,5 bilh?es - oito vezes mais que o valor de bens apreendidos de traficantes em todo o ano passado. "O dinheiro sujo hoje no Brasil n?o ? s? droga, ? principalmente desvio de recursos p?blicos, porque ? muito f?cil. ? bi (bilh?o), bi e bi. A lavagem ? assustadora", diz um dos chefes do combate ? corrup??o na Pol?cia Federal. Estimativa da ONU divulgada em 2012 indica que, considerando todas as esferas de governo, o desvio de recursos p?blicos j? chega a R$ 200 bilh?es por ano no Pa?s. Para o diretor do DRCI (Departamento de Recupera??o de Ativos e Coopera??o Jur?dica Internacional) do Minist?rio da Justi?a, Ricardo Saad, essa constata??o ? resultado da mudan?a de foco. "Antes tinha-se a percep??o de que era o tr?fico (que mais lavava dinheiro); hoje as autoridades est?o mais voltadas em combater a corrup??o. O n?mero de processos est? muito nivelado." COMPLEXIDADE [caption id="attachment_2049" align="alignright" width="823"]O doleiro Alberto Yousseff preso pela PF, lavou milh?es de d?lares desviados da Petrobras O doleiro Alberto Yousseff preso pela PF, lavou milh?es de d?lares desviados da Petrobras[/caption] Nas ?ltimas duas semanas, o Estado ouviu 15 autoridades que atuam em casos de corrup??o sobre os novos mecanismos utilizados para reciclar as riquezas obtidas por organiza?es criminosas e dar a elas fachada legal. Para delegados, procuradores, ju?zes e respons?veis pelo setor de intelig?ncia financeira, essa arte ficou mais complexa. "Tudo ocorre no mundo das sombras. Mas, para ambos os crimes, as cifras s?o expressivas, considerando apenas os casos conhecidos", disse o juiz federal S?rgio Moro, que atua na Lava Jato. De meros operadores do mercado clandestino de c?mbio, doleiros viraram "bancos" de dinheiro sujo e especialistas em gerir o caixa 2 de empres?rios corruptores. Bancos internacionais oferecem a clientes VIP produtos para ocultar suas fortunas no exterior, seja qual for a origem. O dinheiro das quadrilhas brasileiras se desloca de tradicionais para?sos fiscais na Europa e no Caribe para destinos na ?sia e Oceania, cujas autoridades n?o t?m tradi??o de colaborar com os investigadores brasileiros. Principalmente em casos de corrup??o, que envolvem a blindagem de pol?ticos e altos funcion?rios p?blicos, as organiza?es criminosas contratam profissionais altamente especializados, os chamados "gatekeepers" (porteiros ou "abridores de portas"), como consultores financeiros, contadores e advogados. A tarefa ? organizar as opera?es financeiras complexas para movimentar o dinheiro de origem il?cita e criar estruturas societ?rias para ocultar a real propriedade dos valores. TERCEIRIZA??O Uma das caracter?sticas da lavagem de dinheiro moderna ? a profissionaliza??o, outra ? a complexidade, e outra, a internacionalidade. Essas pessoas, como o (doleiro Alberto) Youssef, s?o lavadores de dinheiro terceirizados", afirma o procurador da Opera??o Lava Jato Deltan Martinazzo Dallagnol. Ele explica que os criminosos de colarinho branco est?o dispostos a pagar altas comiss?es por uma opera??o supostamente indetect?vel. Em depoimentos prestados em regime de dela??o premiada na Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobr?s Paulo Roberto Costa disse que, ao dividir as propinas milion?rias do esquema na estatal, 60% dos valores ficavam com partidos pol?ticos e 20% cobriam custos, como a montagem de empresas de fachada, o pagamento de tributos, a emiss?o de notas frias e o pagamento de "gatekeepers". Os outros 20% eram divididos entre ele pr?prio e o doleiro Alberto Youssef. "Se voc? for pensar, ningu?m precisava de Youssef ou de operador. Mas eles entram como catalisadores, para facilitar a lavagem", acrescenta o procurador. TECNOLOGIA Novas formas de "reciclar" dinheiro sujo est?o surgindo com a inova??o tecnol?gica. ? o caso das moedas virtuais, como as "bitcoins", e dos meios de pagamento como cart?es pr?-pagos, formas f?ceis de fazer transitar fortunas sem chamar a aten??o. "S?o eles (os criminosos) correndo na frente e n?s atr?s", diz um dos chefes do combate ? corrup??o da Pol?cia Federal. O que n?o significa que m?todos arcaicos tenham sido abandonados. Um outro dirigente da corpora??o faz uma autocr?tica: "As pessoas tamb?m utilizam as estruturas mais simples porque est? correndo frouxo. A repress?o do Estado n?o est? sendo a contento para as pessoas deixarem de faz?-lo". O diretor-geral de Combate ao Crime Organizado da Pol?cia Federal, Oslaim Santana, afirma que o Brasil tem feito nos ?ltimos anos acordos com outros pa?ses para receber informa?es sobre recursos desviados da administra??o p?blica, escondidos no exterior, em troca de fornecer dados sobre organiza?es internacionais de tr?fico de drogas. "O que nos interessa, o que mais aflige a popula??o brasileira, ? a corrup??o. Eu digo a eles: 'Eu combato o tr?fico internacional, mas preciso saber quais s?o os brasileiros que t?m dinheiro l? fora'. Ingleses, franceses, americanos come?aram a repassar reportes (relat?rios) a partir disso", diz. LI??O [caption id="attachment_2050" align="alignleft" width="657"]C?dulas de real e d?lar s?o apreendidas pela Pol?cia Federal no Rio de Janeiro, durante a opera??o Lava-Jato, que expediu mandados de pris?o de 47 pessoas por lavagem de dinheiro em sete Estado C?dulas de real e d?lar s?o apreendidas pela Pol?cia Federal no Rio de Janeiro, durante a opera??o Lava-Jato, que expediu mandados de pris?o de 47 pessoas por lavagem de dinheiro em sete Estado[/caption] Na avalia??o do secret?rio nacional de Justi?a, Beto Vasconcelos, "n?o h? afrouxamento, mas endurecimento da atua??o do Estado" no combate ao crime. Ele cita como exemplo a cria??o de ?rg?os de intelig?ncia financeira, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a SuperReceita e o pr?prio Departamento de Recupera??o de Ativos e Coopera??o Jur?dica Internacional do Minist?rio da Justi?a. Tem ainda o fator sorte: "Uma coisa que a gente aprende ? que n?o existe segredo eterno. Sempre vai ter algu?m que vai contar, um desentendimento no grupo criminoso e, sobretudo, a t?cnica do ex: ex-mulher, ex-s?cio, ex-empregado." As informa?es s?o do jornal "O Estado de S. Paulo". Como dinheiro recuperado pela AGU (Advocacia-Geral da Uni?o) entre 2010 e 2014, seria poss?vel construir 15,7 mil casas populares com valor m?dio de R$ 76 mil. Desde 2010, a AGU conseguiu recuperar R$ 1,2 bilh?o referentes a crimes de corrup??o e improbidade administrativa Leia mais Divulga??o Ler m

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