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ESCRAVIDÃO 13/11/2017 09:47

Negros e pardos ganham menos da metade do salário pago à trabalhadores brancos

Passados 129 anos da Lei Áurea, o Brasil ainda trata o trabalho do cidadão preto como uma força de segunda classe e valor irrisório

Da Redação
Com Reuters e Agencia Estado

O trabalho do cidadão de pele preta ainda é considerada uma força de segunda-classe e de valor irrisório pelos empregadores brasileiros. É o que revela a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados do estudo expõe uma situação vergonhosa no mercado de trabalho nacional. Passados 129 da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, a população negra e parda segue sendo tratada como escrava. A discriminação por cor fica evidente quando se compara a média salaria paga para trabalhadores brancos e negros ou pardos que exercem as mesmas atividades.

A renda média real recebida pelas pessoas ocupadas no país foi estimada em R$ 2.043,00 no quarto trimestre de 2016. No entanto, o rendimento dos brancos era de R$ 2.660,00 (acima da média nacional), enquanto o dos pardos ficou em apenas R$ 1.480,00 e o dos trabalhadores que se declaram pretos esteve ainda mais baixa, com R$ 1.461,00 por mês, em média.

"Por isso que a gente precisa de políticas diferenciadas de inserção no mercado de trabalho para essa população. É uma população que tem dificuldade de entrar no mercado de trabalho e, quando se insere, tem uma condição mais precária", afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O mesmo vale para a comparação salarial entre homens e mulheres: o resultado melhorou, mas ainda há desigualdade. Em 2015, elas ganharam, em média, 75,4% do rendimento deles --leve alta em relação a 2014, quando o resultado havia sido de 74,2%.

DESEMPREGO MAIOR

A taxa de desemprego das pessoas que se declararam de cor preta ficou em 14,4% no quarto trimestre de 2016, enquanto a taxa entre a população parda foi de 14,1%. Os resultados são maiores que o da média nacional, de 12,0%, e do que o registrado pela população declarada como branca, que teve taxa de desemprego de 9,5% no quarto trimestre de 2016.

"Vivemos no Brasil um processo de escravidão complicado. Por mais que a gente se afaste anos da abolição formal, existe um dever de casa a ser feito bastante importante para a abolição de fato", disse Azeredo.

O coordenador do IBGE aponta problemas estruturais e baixa escolaridade como algumas justificativas para a maior dificuldade enfrentada por negros e pardos no mercado de trabalho.

No quarto trimestre de 2016, o total de desocupados no País era de 12,3 milhões de pessoas, sendo 52,7% deles pardos; 35,6%, brancos; e 11,0% declarados pretos.

Entre os trabalhadores ocupados, 90,3 milhões de pessoas, 41,7 milhões que se declararam de cor branca (46,2%), 39,6 milhões de cor parda (43,9%) e 8,1 milhões de cor preta (8,9%). "É uma mazela permanente", definiu Azeredo.


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