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PARKOUR 24/01/2018 08:59

Conheça o Parkour, prática que leva cuiabanos a superar obstáculos

Mais que um esporte, a prática carrega uma filosofia e reúne jovens no movimento Parkour Cuiabá

Da Redação

Saltos e escaladas que envolvem força, altura, velocidade e equilíbrio. “Tá ligado quando uma criança assiste o desenho do Homem Aranha e fica tentando imitar?”, tenta explicar Davi. Mas não precisa ser super-herói, garantem os praticantes. “São movimentos naturais que todo mundo faz”.

“Muita gente tem na cabeça que Parkour é o esporte de pular de prédio e eu nunca vi alguém pular de um prédio na minha vida”, brinca João Henrique de Souza Lopes, um dos principais articuladores da cena local.

O jovem explica que o Parkour pode ser considerado um esporte, uma arte ou ser resumido como uma prática, mas seu principal objetivo é realizar um percurso e ultrapassar seus obstáculos utilizando apenas o próprio corpo.

No final dos anos 80, o francês David Belle aperfeiçoou as técnicas criadas pelo pai militar para dar velocidade aos soldados no campo de batalha, através da ginastica e as artes marciais. O movimento se desenvolveu no espaço urbano, espalhando-se pela Europa e EUA, até chegar ao Brasil.

Em Mato Grosso, o Parkour uniu um grupo de jovens após os anos 2000, e hoje é articulado por João Henrique. O jovem é natural de Rondonópolis, mas passou a viver a essência da prática no final de 2007, ano em que se mudou para a capital.

“Um dia eu saí para correr e vi um cara passando com uma camiseta escrito ‘Parkour Cuiabá’ nas costas, então eu corri atrás dele e descobri que tinha uma equipe de 6 a 7 pessoas que treinavam na UFMT todo domingo à tarde, com mesmo nome que a gente usa até hoje”, conta ele.

Hoje o grupo continua se reunindo no Campus da UFMT e na Praça das Bandeiras, locais propícios pela quantidade e diversidade de obstáculos. Mas João explica que qualquer lugar é pode ser usado para treino. “A ideia é não esperar que o ambiente se adapte a você, mas você que tem que adaptar ao ambiente”.

“O Parkour também é a ideia de você superar seus próprios limites, de tentar seu uma pessoa melhor do que você era, de tentar sempre se superar, fazer um movimento mais difícil”. A prática ainda é encarada como uma filosofia, e quando levada a outros aspectos da vida, pode transformar a de muitos praticantes.

“Quando eu comecei eu tinha muito medo de altura e fazia movimento baixos. Com o tempo você vê que os movimentos são tão naturais e você consegue se sentir uma pessoa mais segura e confiante, disposto a encarar os problemas”, afirma João.

Parkour ‘raiz’ ou Free running?

Desde que começou, o jovem conta que a prática sofreu várias mudanças em suas técnicas e essência e para ele, o principal fator é a repercussão na internet. “A gente entrava no Youtube para procurar vídeos e achava uns 10 ou 15 no máximo, a maioria do David Belle. Hoje em dia você acha um bilhão de vídeos”.

Ele acredita que a grande quantidade de informações facilitou o aprendizado do Parkour, mas acabou dispersando um conteúdo aprofundado sobre o sentido da prática. “O problema não é a quantidade, mas a qualidade delas”, ressalta. Segundo ele, era muito mais fácil encontrar entrevistas sobre o assunto, hoje o foco é a estética dos movimentos.

“A galera começou a incorporar movimentos de várias outras artes como ginastica, capoeira, artes marginais, hip-hop”, explica. A mistura resultou no ‘Free running’, defendida por muitos como um novo Parkour, que prega a liberdade de movimentos.

“Em algum momento alguém começou a falar que no Pakour você pode fazer o que quiser, o que eu concordo por um lado e descordo por outro, porque o problema é que ficou muito bagunçado e a galera se afastou totalmente do objetivo de percurso. Agora a galera tem uma visão mais exibicionista, querem incorporar beleza nos movimentos e fazer vídeos pela fama, o que acabou gerando um grau de competitividade que não existia”, ressalta.

Hoje os campeonatos já chegaram ao Brasil com os grandes patrocínios na Redbull e são alvo de polêmica, desagradando os defensores da sua essência. Segundo João, a utilidade, neste caso, é sempre tentar se superar em todos os aspectos da vida. “Não é sobre como você faz se precisar fugir um dia, mas sim de você ter a consciência de que você é capaz de resolver os seus problemas e a tem coragem de passar por aquilo”.

Marginalização

Quando a reportagem do LIVRE chegou ao compus da UFMT, já percebeu um dos aspectos ressaltados pelos praticantes do Parkour, a sua marginalização. “Muito marginalizada, principalmente hoje em dia, quando eu comecei a treinar já era e hoje é 5 vezes mais”, afirma.

O treino dos rapazes mal havia começado e já estava gerando atrito com os seguranças do local, o que segundo João, a situação é resultado tanto do preconceito da população pelo desconhecimento, quanto por alguns comportamentos extremos dos adeptos.

“Existem algumas equipes que ficaram famosas na internet por invadir prédios, casas, subir em metrôs e tem muita gente para falar que isso é certo ou errado e o que fica na cabeça das pessoas”, explica João.

Entre 2007 e 2008, ele conta que um dos praticantes do grupo, hoje residente em Sinop, chegou a regulamentar os treinos na instituição, conseguindo até um Alvará que durou alguns anos.

“Ele fez uma coisa linda, chamou mais uns cinco caras na época, todos uniformizados, foram lá na reitoria com um projeto montado, com uma pasta com o que era parkour, preparou um discurso e já sabia até os locais que ele queria treinar”.

Fonte: O Livre


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