Artigos e Cronicas

21/12/2015 08:56

A força de Star Wars

Gustavo de Oliveira *

Eu tinha onze anos quando assisti o primeiro filme da saga ‘Star Wars’ no Cine Bandeirantes, no início de 1978. Dois anos depois veio ‘O Império Contra-Ataca’ e, em 1983, a primeira trilogia terminou com ‘O Retorno de Jedi’. Em 1999, já com meus filhos a tiracolo nas salas escuras, teve início a nova trilogia com ‘A Ameaça Fantasma’, depois ‘Ataque dos Clones (2002) e, finalmente, ‘A Vingança dos Sith’ (2005).

Na madrugada de quarta para quinta-feira fomos conferir o novo filme da série. A reação de duas gerações dos Oliveiras foi a mesma: o fascínio do mundo criado por George Lucas há 38 anos será transmitido com segurança para uma nova legião de fãs. E tudo no novo filme, ‘Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força’, foi construído para isso: ligar o passado com o presente apontando para o futuro.

A nova trama vai sendo tecida aos poucos pelo diretor J.J. Abrams. Primeiro, ele apresenta os novos rostos: os mocinhos Rey (a excelente Daisy Ridley) e Finn (John Boyega) e o vilão Kylo Ren (Adam Driver). Da mesma forma que a criançada de hoje (ou seja, o público alvo do filme), o trio parece conhecer pouco das antigas guerras nas estrelas, embora a memorabilia daquela época não lhes seja totalmente estranha.

Kylo Ren, por exemplo, é um discípulo fervoroso de Darth Vader e guarda consigo a máscara destruída do Lorde Sith – embora pouco tenha ouvido falar do antigo déspota. Na mesma situação estão Rey e Finn, que protagonizam cenas emocionantes (e muitas vezes hilárias) ao interagir com alguns ícones da saga, como as naves Tie Fighter e Millennium Falcon e os sabres de luz – cujas disputas são menos acrobáticas, puxando para o ritmo da trilogia clássica.

A ligação com os filmes antigos é reforçada ainda pela participação de personagens dos três primeiros filmes, os protagonistas Han Solo (Harrison Ford), a ex-princesa e agora General Leia (Carrie Fisher) e Luke Skywalker (Mark Hamill). Também entram no pacote de nostalgia de Abrams os robôs R2-D2 e C-3PO e o wookie Chewbacca. Todos com participações mais ou menos importantes, mas colocados ali para dar esse ar de passagem de bastão – uma passagem que a Disney, dona da franquia desde 2012, quer fazer com segurança.

Daí não apenas a presença de figuras conhecidas, mas de uma estrutura de filme bem parecida com o original. Novamente temos uma força militarista comandada por uma figura sombria, que construiu uma arma de destruição em massa e precisa ser detida por um grupo de abnegados. Numa subtrama paralela, alguém é tentado para um dos lados da Força enquanto outro está em busca de respostas.

Dá para chamar o roteiro de cauteloso, feito sob medida para agradar aos antigos fãs e conquistar novos adeptos – missão que, como a gente sabe, não é apenas do cinema, mas de uma bem-azeitada máquina de merchandising. Pelo jeito, a força continuará por muitos e muitos anos com ‘Star Wars’.

*Gustavo de Oliveira é jornalista e diretor de Redação do Diário.


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