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24 de abril de 2024 9:47 pm

Mauro Mendes nega responsabilidade pela pobreza e fome de 300 mil famílias em MT

O governador culpa o prefeito de Cuiabá pela vergonhosa “fila do ossinho” quando há cerca de 300 mil famílias mato-grossenses passam fome e vivem na miséria
Dados do IBGE e do Cad Unico mostram Mato Grosso a fome e a pobreza extrema atinge mais de 300 mil pessoas (Foto:Arq.Web-Ilustração)

Da Redação

O governador Mauro Mendes (UB), candidato à reeleição, se nega a admitir qualquer responsabilidade pela fome e a miséria que afeta mais de 300 mil famílias em Mato Grosso. Mendes insiste em reduzir o problema à uma só localidade: Cuiabá. E culpa o prefeito da capital, Emanuel Pinheiro (MDB) pela triste e vergonhosa “fila do ossinho”.

O esforço de Mendes para se livrar do desgaste por ter permitido que a pobreza e a miséria se alastrasse pelo estado esbarra na realidade fria dos números. Entre os anos de 2019 e 2021, a pobreza saltou 6,6% para 9,3% em 2021. Este ano, em que a economia reverbera ainda os efeitos da pandemia de Covid 19 e a falta de medidas concretas para conter a inflação, projeta-se para o estado um acréscimo de pelo menos mais 1,5% no índice de pobreza, que pode ultrapassas a casa dos 10,5%. Ou seja, na melhor das hipóteses, Mato Grosso tem cerca de 380 mil pessoas vivendo na pobreza extrema.

Confrontado com os dados das pesquisas científicas que apontam um aumento consistente e permanente no empobrecimento da população geral de Mato Grosso, em franco contraste com o crescimento do valor da Produção Bruta do Estado, estimada para este ano em mais de R$280 bilhões, Mendes reage citando o fato de que durante a pandemia, distribuiu cerca de um milhão de cestas básicas.

O número citado pelo governador parece significativo, mas é apenas uma ilusão numérica. Dividindo as um milhão de cestas por 100 mil pessoas – número estimado pela  Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) de famílias em condições de pobreza extrema espalhadas pelos 141 municípios mato-grossenses -, em dois anos de pandemia, seriam apenas cinco cestas básicas por ano para cada família.

 A contradição entre a pobreza humilhante de milhares de pessoas e a extrema riqueza de uma pequena parcela dos moradores de Mato Grosso se revela ainda nos dados econômicos registrados pelo IBGE. Com 32 milhões de cabeças, Mato Grosso tem hoje o maior rebanho bovino de abate para exportação. Nos primeiros seis meses deste ano, foram mais de 2 milhões de bovinos abatidos, número maior que o do ano passado inteiro. A quase totalidade da carne bovina, suína e avícola produzida em Mato Grosso é destinada a exportação.

O problema ganha ainda maior dimensão quando se compara a renda per capita do estado com a renda média das famílias mais pobres. Para o ano de 2022, as estimativas é de que Mato Grosso atinja um PIB superior a R$ 200 bilhões e atingir uma renda per capita de até R$45 mil. Entre as famílias mais pobres, no entanto, a renda média não passa de R$105

Conforme dados do Ministério da Cidadania, nada menos que 641.968 famílias de Mato Grosso foram registradas até o mês de maior no  Cadastro Único. O Cad Único reúne os dados das pessoas e famílias mais vulneráveis do País.

Com uma população de pouco mais de 3,5 milhões de pessoas, o Cad Único mostra que em 2021, haviam 192.298 famílias registradas em situação de extrema pobreza no Estado, com renda per capita mensal abaixo de R$105. Este número número é 54% maior que o registrado no ano anterior.

Ainda conforme dados do Governo Federal, Mato Grosso tem ainda 84.233 pessoas em situação de pobreza – renda mensal per capita entre 105 e 210 reais) e mais 163.626 habitantes em situação de baixa renda  R$620 per capita.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), publicou em julho o estudo O Mapa da Nova Pobreza, em que registra que 20% da população de Mato Grosso vive em situação de pobreza, com renda domiciliar média de R$497 reais por pessoa. Ou seja, desde o primeiro ano do governo de Mauro Mendes em 2019, a pobreza cresceu 3,9%, já que naquele ano, o mesmo estudo da FGV mostrava que a pobreza atingia 16,1% da população do estado.

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