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22 de abril de 2024 7:41 pm

Pesquisas locais “escondem” votos da oposição em Lula e Márcia Pinheiro

Os números divulgados pelos institutos locais conflitam com a realidade perceptível no ambiente político, nas ruas e com dados das pesquisas nacionais
Lula (PT) e Márcia Pinheiro (PV) tem seus eleitores "escondidos" pelas pesquisas locais neste início de campanha eleitoral em Mato Grosso (Fotos:Arq.Web/Reprodução)

Antonio P. Pacheco

Especial para Pauta Extra

Os números das pesquisas eleitorais divulgadas na última semana por institutos locais escondem, literalmente, os eleitores do ex-presidente Lula (PT) e de Márcia Pinheiro (PV), candidatos de oposição a nível nacional e estadual. Os dados publicados conflitam fortemente com a realidade e levantam dúvidas sobre a sua fidelidade à vontade real dos eleitores de Mato Grosso.

No dia 04 de agosto, a pesquisa do Instituto Percent, publicada por grande parte da imprensa local, apontou que o governador, Mauro Mendes (União Brasil), teria nada menos que 42,8% das intenções de votos, enquanto a candidata oposicionista, a primeira dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro, cravava 12,9% na preferência do eleitorado.

Já nesta segunda-feira, 22, foi a vez do Instituto MT Dados soltar seus resultados ao público. E novamente o atual governador surge com uma percentual estratosférico de 44% enquanto sua principal adversária não passaria de 6% na modalidade estimulada. Na modalidade expontânea, Mauro Mendes teria 26% do eleitorado e Márcia Pinheiro amargaria apenas 3%.

O ‘fenômeno’ do desaparecimento dos eleitores de oposição em Mato Grosso também ocorre com a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os pesquisadores dos institutos locais parecem ter imensa dificuldade e ou enfrenta obstáculos perigosos para poder entrevistá-los.

O mesmo MT Dados, por exemplo, aponta na sua última pesquisa, que Bolsonaro teria nada menos que 44% dos votos dos mato-grossenses, enquanto seu concorrente, o petista Lula, não passaria dos 31%.   Isso na modalidade na modalidade estimulada, quando é apresentada ao eleitor uma relação com os nomes dos candidatos. Na espontânea, o quadro seria ainda mais vantajoso para o atual ocupante do Palácio do Planalto, que alcançaria a marca de 41% das intenções de voto enquanto Lula obteria 26% dos votos.

 O que chama a atenção para essas diferenças é a distância que os números impõe entre os concorrentes que representam modelos absolutamente opostos de governo em uma campanha eleitoral visivelmente polarizada ideológica e politicamente.

Ainda que Mauro Mendes e Jair Bolsonaro tenham a seu favor as máquinas governamentais e o poder de fazer dos cargos que disputam a reeleição – o que tem peso realmente importante de influência na opinião pública – , ambos também carregam contra sí o desgaste do exercício do poder em um período extremamente crítico nos campos econômicos, da saúde e das relações institucionais.

Tanto Mauro quanto Bolsonaro tem uma ficha gigantesca de equívocos, decisões traumáticas, conflitos e comportamentos pessoais questionáveis, o que produz um grande impacto na realidade e se estabelece como critérios fundamentais para que os eleitores definam seu voto em favor de seus opositores. É o que diz a ciência política, a sociologia, a psicologia de massa e as experiências empíricas dos analistas políticos mais sérios.

Estranhamente, no entanto, é como se não houvesse em Mato Grosso eleitores decepcionados com os atuais chefes dos executivos estadual e federal. As pesquisas locais parecem ignorar propositalmente a existência de um movimento de rejeição crescente tanto à Mendes quanto a Bolsonaro.

Ao apresentam números que, na sua grandiosidade exagerada, se revelam como cortinas que tentam mascarar a realidade dos fatos concretos, estas pesquisas se convertem em evidentes peças de ficção, mera propaganda encomendada pelos marqueteiros de campanha para tenta manipular a opinião pública pela desinformação, pelo embuste.

No campo da realidade concreta, no entanto, a falsa imagem de líderes incontestes que os números inflados artificialmente das pesquisas não se sustenta nas ruas e praças, nas casas e locais de trabalho.

Os eleitores estão mais atentos a estes truques de marketing eleitoral antiquados e manipulatórios. As experiências de 2018, com a tsunami das  fakenews, as manipulações midiáticas da imprensa tradicional, as enxurradas de acusações falsas, criminosas e levianas que marcaram as campanhas da última eleição presidencial deixou marcas profundas e aprendizados.

As velhas táticas não funcionarão desta vez. Os eleitores não se deixarão levar por fantasias, discursos vazios e candidaturas baseadas exclusivamente em bordões nazifascitóides do tipo “Deus acima de todos, o Brasil acima de Tudo”.

 

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