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DROGAS 03/11/2015 10:40

Pesquisa aponta que 75,7% dos mato-grossenses são contra a liberalização da maconha

Para a maioria absoluta dos mato-grossenses, defesa da descriminalização da maconha é um erro

Rodivaldo Ribeiro

Da Redação

 

Dos assuntos mais polêmicos e urgentes da contemporaneidade, o uso e a venda de substâncias psicoativas, drogas legalizadas ou não, também foi assunto da série de consultas populares realizada pela KGM Pesquisas a pedido do Hipernotícias. E, à parte o fato da chamada guerra às drogas ter dado pouco ou nenhum efeito sobre o tráfico e a violência que o envolve, em Mato Grosso, a suprema maioria das pessoas continua vendo o problema sob a ótica do tradicionalismo e da repressão. Só ver os números. Sob método Survey, 1.100 pessoas responderam, em 11 municípios, ao argumento-teste “a venda e o consumo da maconha devem ser liberados”? Nada menos que 75,7% disseram discordar da medida.

Ou seja, para a maioria absoluta dos mato-grossenses, estão errados o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que faz palestras mundo afora falando das vantagens e do impacto da descriminalização da erva africana cannabis-sativa sobre o crime (diminuindo-o, na visão dele e dos demais defensores da ideia) e reduzindo gradativamente, até acabar de vez, com o tráfico.

“Eu ainda me surpreendo sim com a maneira como as pessoas veem a questão do uso e do costume da maconha no Brasil e mais ainda aqui em Mato Grosso, até espero uma maioria, mas de 55% para 45%, não de dois terços. Vejo isso como retrocesso, mas ao mesmo tempo faz sentido, estamos vivendo num tempo de repressão violenta e resgate de valores arcaicos, mesmo que eles sejam sabidamente nocivos”, argumenta um cientista social e defensor da liberalização que prefere não se identificar. 

Ele vai mais longe e argumenta que a guerra às drogas dos Estados Unidos, por exemplo, consome ao menos US$ 2 bilhões todos os anos das forças de segurança deles nos próprios EUA mas não só: no resto do mundo também, mas o que resolve? “Nada, quase destruíram a América Latina e eles foram pro México e nem o consumo e muito menos o tráfico diminuíram, muito pelo contrário, triplicaram desde que essa forma de lidar com o problema começou, nos anos 1980. 

Mas somente 21,3% dos mato-grossenses concordam com ele, outros 2,1% não tem opinião formada sobre o assunto e por isso preferiram dizer que não concordam nem discordam. Ínfimos 0,9% não sabem ou não quiseram responder. 

O delegado-geral da Polícia Civil, Adriano Peralta, entretanto, concorda com o sociólogo entusiasta dos usos e costumes da maconha, mas só em parte. Para ele, o Estado deveria ter controle sobre a venda e o uso da erva. Com uma sistematização do tipo cadastral dos usuários. “O indivíduo é usuário de drogas? Pode pegar a quantidade X, isso faria diminuir a quantidade de dinheiro em circulação no tráfico, porque sabemos que todo o problema é a quantidade de dinheiro envolvido. 

Peralta lembra também o caso do México e da Colômbia, a partir da época em que tudo foi centrado em acabar com as carteis colombianos com a certeza de que isso resolveria o problema do tráfico e da violência. Ledo engano. No México, se tornaram muito mais violentos, porque agora há muito mais dinheiro envolvido no jogo. 

“Sou a favor da regulamentação e distribuição pelo Estado, com medidas médicas, isso teria impacto direto no preço. Se hoje uma porção custa R$ 10 mil, vai cair, no mínimo, pra R$ 3 mil. E o traficante, ao ver o dinheiro indo embora, não vai mais querer correr o risco pra manter o negócio”, considera Peralta. 

As experiências em torno da medida ainda são muito recentes. Foi implantada em algumas cidades norte-americanas e no vizinho Uruguai, mas ainda é muito cedo para calcular o impacto, ou a falta dele, no dia a dia das populações dos dois países.

(Fonte:Hipernoticias)


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