Nacional

IMPLOSÃO DO GOLPE 18/05/2017 08:05

Delatado por donos da JBS, Temer deve renunciar nas próximas horas

As gravações entregues por Joesley Batista à Procuradoria Geral da República e ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal comprovam corrupção de Temer e Aécio Neves e agravam a crise política no Brasil

Da Redação

A delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS/Friboi, e executivos da companhia, causou um terremoto jurídico-policial e jurídico que está desarticulando o núcleo duro do golpe de 2016 que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) da presidência do Brasil. Aliados do usurpador Michel Temer (PMDB) no Congresso Nacional estão pedindo em massa a sua renúncia.

Segundo gravações entregues por Joesley Batista à Procuradoria Geral da República e ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Michel Temer foi informado e apoiou abertamente uma operação de pagamento de propina para o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) além de pedir propina de R$500 mil por semana durante 20 anos para ajudar a JBS em uma demanda com a Petrobras.

A delação também revelou que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, pediu e recebeu R$2 milhões em propinas ao dono da JBS/Friboi. O dinheiro foi entregue em quatro parcelas de R$500 mil ao primo do senador, Frederico Pacheco de Medeiros. A entrega das malas de dinheiro para Aécio foi rastreada e filmada pela Polícia Federal em uma operação controlada autorizada pela Justiça Federal e acompanhada pelo MPF. O dinheiro foi parar em uma empresa da família do senador Zezé Perrela, o mesmo dono do famoso "helicoca".

O caso veio à público no início da noite de quarta-feira,17, por meio de um furo de reportagem publicado pelo jornalista Lauro Jardim,colunista e blogueiro do grupo Globo, que teve acesso privilegiado à parte da delegação dos irmãos Batista.

A notícia se espalhou como rastilho de pólvora e paralisou o Congresso e o Palácio Planalto.Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), interromperam as sessões do Congresso e se recusaram a comentar a catastrofe desencadeada pela delação contra Temer e Aécio.

O senador tucano foi gravado por uma emissora de televisão no plenário do Senado lendo no celular as notícias sobre a delação que o atingiu. A gravação mostra ainda o senador literalmente "fugindo" do plenário. Desde então o tucano não foi mais visto e nem atendeu as ligações em seu telefone pessoal.

Quase imediatamente, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), uma das vozes mais estridentes da base aliada do golpe deu a senha da debandada ao publicar nas suas redes sociais, comentário determinando o fim do "Governo Temer". Caiado foi além e pediu a renúncia do peemedebista e a imediata convocação de eleições diretas.

O deputado Molon (Rede-RJ) saiu na frente pela oposição e impetrou na Câmara um pedido de impeachment de Temer. O PSol, por meio do senador Randolfe Rodrigues, deve ingressar hoje com outro pedido de impeachment de Temer, que deve se juntar aos outros dois que já foram protocolados.

No Palácio do Planalto, Michel Temer convocou assim que circulou a notícia da delação bombástica, reuniu os ministros da Eliseu Padilha, Moreira Franco, o secretário de imprensa do Planalto, Luciano Suassuna e o senador Romero Jucá, além de outros auxiliares para discutir a situação. Da reunião, saiu uma nota em que Temer se limita a negar que tenha pedido propina à Joesley Batista e que não tratou de nenhum assunto não-republicano na reunião que manteve com o dono da JBS no Palácio do Jaburu em março deste ano.

 


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