Nacional

VAZA JATO 19/06/2019 12:11

Moro mostra nervosismo e se contradiz em depoimentos na CCJ do Senado

Gaguejando e afinando a voz, o rosto sanguíneo de quem se sente acuado e aterrorizado, Moro vem tentou convencer, inutilmente, que as denúncias publicadas pelo siete The Intercept Brasil são uma “tantativa de destruir a Lava Jato”

Antonio P. Pacheco

Especial para Pauta Extra

Visivelmente nervoso e tenso, o ministro Sérgio Moro, da Justiça de Jair Bolsonaro, enfrenta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado o pior dia de sua vida desde que deixou a toga para turbinar sua carreira política. 

Gaguejando e afinando a voz, o rosto sanguíneo de quem se sente acuado e aterrorizado, Moro vem tentando convencer, inutilmente, que as denúncias publicadas pelo siete The Intercept Brasil são uma “tantativa de destruir a Lava Jato”, argumento tão pífio quanto sua alegada imparcialidade. 

Em vários momentos, o ex-juiz se atrapalhou com as palavras, evidenciando suas contradições. Chegou até a trocar a pronúncia do sobrenome de seu dileto comparsa na Força Tarefa Lava Jato, Deltan Dallagnol ao se referir ao procurador como “Dalaguenou” e não como se pronuncia à italiana “Dalanhól”. 

Sobre as mensagens vasadas nas reportagens do The Intercept, Moro insiste que podem ser montagens. “Não tenho como verificar a autenticidade das mensagens”, afirmou, para logo em seguida admitir emendando uma desculpa:“Posso ter dito alguma coisa”, mas “de algumas não me lembro”. Tragicômico, em fim, seu desempenho diante dos senadores. 

Diante de perguntas objetivas e diretas dos senadores, sobre suas atitudes reveladas pelo jornalista Glenn Greenwald, Moro apenas remoeu a mesma desculpa de que não haveria nada de irregular no que ele classifica como “supostas mensagens”, que não as reconhece, não se lembraria delas e nem tem como recupera-las. A atitude expôs o alto grau de sociopatia do ministro em negar o óbvio: a sua parcialidade, a interferência criminosa nas investigações e condução ilegal dos trabalhos dos procuradores a fim de criminalizar, condenar e prender o ex-presidente Lula. 

O senador Humberto Costa (PT-PE), que participou da sabatina ao ministro, cobrou de forma dura Sérgio Moro esclarescimentos por sua conduta escusa com os procuradores da operação Lava Jato. Durante sua fala, ele rebateu as falas de Moro "de que estava sendo vítima de sensacionalismo". "Sensacionalismo? Mais sensacionalismo do que ocorreu durante a Lava Jato? Com os vazamentos para a imprensa?", indagou o senador petista. 

Costa também defendeu a conduta de Gleen Greenwald, editor do site The Intercept e responsável pelo vazamento das mensagens. "O jornalista não é nenhum foca e já ganhou um prêmio pulitzer, lidava com Edward Snowden , com a NSA '(Agência de Segurança Nacional' estadunidense)" , relembrou Humberto Costa.

O parlamentar seguiu com seus questionamentos: "ele [Moro] chefiou a Lava Jato, ele trocou procuradores, cobrou operações, selecionou quem deveria ser perseguido, ele rasgou leis, códigos de éticas e condutas, transgrediu tudo. A que projeto político o ex-juiz servia?" perguntou à um Moro encolhido na cadeira, trêmulo e suarento. O parlamentar, por fim, pediu a demissão de Moro e disparou: "você cassou o voto de milhões de brasileiros".


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