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20 de abril de 2024 10:16 am

Deputados serviam ao cartel que controlava transporte intermunicipal em Mato Grosso

Da Redação

Os deputadoS estaduais Dilmar Dal'Bosco (DEM) e Pedro Satélite (PSD), seriam os “braços políticos”, junto com o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, que facilitava a atuação de um cartel empresarial que controlava o transporte coletivo intermunicipal em Mato Grosso e fraudava as licitações desses serviços afastando a concorrência.

A informação é do Ministério Público Estadual (MPE) que teria descoberto o esquema ao longo das investigações com culminaram nesta semana na Operação”Rota Final”, deflagrada quarta-feira,25 pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz).

As investigações apuram fraudes em concessões do transporte intermunicipal de passageiros. A ação coincide com a retomada da concorrência pública 001/2017, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) que circulou na terça-feira (24), prevendo a concessão de 13 lotes de linhas de ônibus.

Empresários donos de empresas que atuam no setor,dentre eles, Júlio César Sales Lima que é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Intermunicipal e Éder Augusto Pinheiro, sócio da Verde Transporte, seriam os articuladores do cartel.

Em matéria publicada neste domingo no portal Gazeta Digital, o repórter Arthur Santos da Silva informa sobre o esquema desvendado pela Defaz. Leia abaixo da reportagem completa.

Transporte intermunicipal

MP aponta cartel para afastar empresas e cita 2 deputados e secretário
Arthur Santos da Silva, repórter do GD

Investigações que subsidiaram a operação Rota Final, deflagrada pela Delegacia Fazendária (Defaz), apontam para a existência de um cartel objetivando afastar empresas da licitação para o Transporte Intermunicipal em Mato Grosso.

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), ocorreram pagamentos de vantagens para que grupos deixassem de disputar a licitação pública. As empresas Jundiá Transportadora Turística Ltda e a empresa Ônibus Rosa Ltda desistiram da outorga e assinatura de contrato de concessão no período da convocação.

“Houve movimentação financeira atípica em uma das empresas que compõem o grupo (Orion Turismo Ltda) e, em paralelo, o recebimento pela empresa Jundiá, de valor significativo”, afirma o Ministério Público de Mato Grosso.

A empresa Viação Xavante também renunciou ao contrato de concessão. O seu presidente, José Eduardo Pena, também teria se associado ao grupo investigado.

O caso

Os pedidos cautelares ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na figura do desembargador Guiomar Teodoro Borges, durante a Operação Rota Final, esclarecem que as investigações sobre possíveis fraudes no processo licitatório do transporte intermunicipal se apoiam em provas produzidas por interceptações telefônicas.

Ainda segundo o Ministério Público, entre os envolvidos estão os deputados estaduais Dilmar Dal Bosco (DEM) e Pedro Satélite (PSD), o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, empresários e servidores da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos (Ager-MT).

Conforme os autos, todos são acusados de fraudar processo licitatório que tem por objetivo a implementação do Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiro do estado de Mato Grosso. Entre os crimes praticados estão corrupção, fraude em licitação e sonegação fiscal.

As ações criminais foram orquestradas, segundo o MPE, em conluio com agentes lotados na Sinfra e na Ager. As investigações revelaram que a Sinfra emitiu termo para contratação, ao preço de R$ 11 milhões, do consórcio TAGTREE, responsável pela modelagem e apoio às licitações.

Inquérito evidenciou o vínculo do empresário Eder Augusto Pinheiro, ligado à Verde Transportes, com ex-presidente da Ager, Eduardo Moura, o diretor de transportes rodoviários da Ager, Luiz Arnaldo Faria e o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte (Setromat), Júlio César Sales Lima.

Eder Pinheiro seria o líder do grupo, desempenhando influência na Sinfra, Ager e no Setromat. Como braço direito, aparece ainda a figura de Max Willian.

Todos os 4 empresários presos na operação deflagrada na última quarta-feira (25), ganharam liberdade 2 dias depois, por decisão do próprio desembargador Guiomar Borges que revogou os decretos de prisão expedidos por ele próprio.

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